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Danças Circulares ou Danças de Roda - Anos Iniciais e Finais

As Danças de Roda no Brasil são expressões que misturam rito, música e poesia, resultado da fusão entre as culturas indígena, afrobrasileira e europeia. Exemplos marcantes o Samba de Roda, Ciranda, Carimbó, Jacundá, Roda de Coco, Quadrilha e Danças de Fitas.

Ilustração de uma obra de arte vibrante que retrata seis crianças brincando de dança de roda em um espaço aberto. As crianças estão dispostas em círculo, de mãos dadas e com os pés em movimento de dança. Elas vestem roupas coloridas (vestidos e camisetas em tons de azul, amarelo, vermelho e verde, sendo um dos meninos com camiseta listrada). Ao fundo, há uma sequência de fachadas de casas térreas e simples, pintadas em cores vivas como vermelho, laranja, amarelo e azul-turquesa, com portas e janelas também coloridas. A cena remete a uma brincadeira tradicional de infância em um bairro popular.

Atenção!

Esse poste contém conteúdos, atividades, questões, dicas, gabaritos e habilidades.

DANÇAS CIRCULARES OU DANÇAS DE RODA

 


A Dança é a arte de movimentar o corpo seguindo um ritmo, que pode ser feito de forma coreografada ou improvisada. É uma das principais expressões artísticas da humanidade, usada para comunicar sentimentos, contar histórias, celebrar rituais ou simplesmente como forma de lazer e exercício físico.

A Dança pode ter diferentes funções de acordo com o contexto e o lugar em que ela é praticada. E assim, muitas danças tradicionais, por exemplo, são dançadas em círculo. Essas danças, chamadas de danças circulares ou danças de roda, tem uma função simbólica de manter a união do grupo. Essas danças estão entre as mais antigas e são praticadas há milhares de anos. Nossos antepassados observavam que vários fenômenos da natureza se repetiam em ciclos, como as estações do ano, os períodos de frio e calor, de chuva e de secas.

Para esses povos antigos, as danças circulares eram uma maneira de representar esse padrão circular para cultuar as forças da natureza. Por meio da dança, eles pediam às divindades para proteger o grupo e garantir boas colheitas. Essas danças também ajudavam a manter a harmonia e a união do grupo.

As danças circulares são tão antigas que existem pinturas rupestres que representam grupos pré-históricos dançando em círculo de mãos dadas.

 

DANÇAS CIRCULARES NO BRASIL


 As Danças de Roda no Brasil são expressões que misturam rito, música e poesia, resultado da fusão entre as culturas indígena, afro-brasileira e europeia. Exemplos marcantes incluem o Samba de Roda baiano, a Ciranda pernambucana, o Carimbó paraense, o Jacundá amazônico e a Roda de Coco, caracterizadas por passos miudinhos, cantigas responsivas e celebração coletiva.  E ainda temos a Quadrilha e Danças de Fitas para complementar essas danças. Para explorar e entender a fundo a história, o ritmo e as tradições por trás de cada uma dessas manifestações, é preciso estudar cada uma delas.

Apresentação do grupo Samba de Roda Filhos da Terra. Criador: Sergio Pedreira | Crédito: Sergio Pedreira
Apresentação do grupo Samba de Roda Filhos da Terra. Criador: Sergio Pedreira | Crédito: Sergio Pedreira

O Samba de roda

Essa manifestação cultural, musical e coreográfica que une dança, poesia e festa, surgiu na Recôncavo baiano, aproximadamente no século XVII. Hoje, ele é um patrimônio e herança cultural afro-brasileira. Está intimamente relacionado à roda de Capoeira, que envolve música e luta, e aos orixás, entidades espirituais africanas.

A dinâmica da roda divide papéis muito claros:

  • Os Instrumentos Musicais: Geralmente tocados por homens, incluem viola, pandeiro, atabaque, chocalho e o tradicional berimbau.

  • A Dança: Marcada pelos movimentos das mulheres.

  • Os passos coreográficos: São o "miudinho" (a base é feita com o pé inteiro, em movimentos curtos, rápidos e próximos ao chão, com grande agilidade e sem sair muito do lugar) e a "umbigada" (Consiste em um toque ou aproximação de barriga com barriga que serve para convidar ou passar a vez para outra pessoa dançar no centro da roda. E por fim os rodopios.

As cirandas do Egídio - Projeto Cultura que Toca no Pátio
As cirandas do Egídio - Projeto Cultura que Toca no Pátio

A Ciranda

Essa manifestação cultural é um tipo de dança e música originária da região Nordeste. Sendo uma dança de roda tradicional, celebrada como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. A coreografia consiste em passos cadenciados para a direita no ritmo do bombo e da zabumba. Os participantes giram e balançam os braços em celebrações.

É uma dança de roda, que pode ser dançada por pessoas de todas as idades. Uma dança simples, comunitária e espontânea. As pessoas vão chegando e tomando as mãos dos que estão na roda, seguindo assim o bailado circular, ritmado pela batida percussiva, fazendo passos para dentro e para fora, semelhantes às ondas do mar.

O Carimbó Paraense

Essa manifestação cultural típica do Pará, e o nome refere-se ao tambor "curimbó" com o qual se marca o ritmo. Ela é uma dança, música e ritmo brasileiro que se caracteriza por ser uma fusão de influências indígenas, africanas e europeias. Realizado em pares e tendo como marca registrada os movimentos giratórios e as coloridas saias rodadas das mulheres, são os homens que iniciam a coreografia com um convite para a dança enquanto batem palmas. As mulheres rebolam, rodam e tentam cobrir a cabeça dos homens com suas saias.

Essa dança também pode ser chamado Samba de Roda do Marajó, e Baião típico de Marajó. Em 2014, o Carimbó recebeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.

O Jacundá Amazônico

É uma dança folclórica de roda, de origem indígena, popular na Amazônia. Além de ser uma brincadeira, É realizada em círculo.

Para iniciar as pessoas formam um círculo e duas pessoas ficam ao centro. A dupla ao mesmo tempo que dança no centro da roda, tenta sair dele, como se fossem peixes. As pessoas que formam a roda não podem deixar a dupla sair. Mas, caso ocorra, quem permitiu deve entrar na roda e dançar no lugar.

As canções repetidas durante a dança podem citar:

  • "É tu, é tu, é tu é jacaré coroa!"

  • “Vem com a Juri, dançar o Jacundá!”

  • "Jacaré me convidou para dançar o Jacundá!"

 A Roda de Coco Nordestina

Também nomeado de "Coco de Roda" é uma manifestação cultural, musical e de dança afro-brasileira típica do Nordeste. Misturando cantos, palmas e sapateados, a dança é conduzida por um mestre coquista ou “cantadô” ("tirador de coco") que improvisa versos, acompanhado por instrumentos como pandeiro e ganzá, enquanto a roda responde com passos vibrantes.

O Coco pode ser dançado em pares, filas ou rodas e suas características mais marcantes são as batidas dos pés – descalços ou com calçados de madeira – que imitam o barulho do coco sendo quebrado.

Foto: Fernando Teixeira
Foto: Fernando Teixeira

A Quadrilha Junina

A quadrilha tem origem nas danças de salão da Inglaterra e da França do século XVIII, conhecidas como "quadrille". A dança chegou ao Brasil no século XIX pela corte portuguesa. É uma tradicional dança folclórica coletiva e circular brasileira, típica das festas juninas. Marcada por passos coreografados, roupas caipiras, música animada e a figura do "marcador" que dita os comandos (como anarriê e alavantú), a festa é frequentemente abrilhantada pelo humorístico casamento matuto. Atualmente  incorpora um estilo e coreografias complexas, figurinos luxuosos, misturas de ritmos, além de forte apelo visual.

A coreografia segue as ordens do marcador, que dita o ritmo intercalando passos e formações. Os principais momentos incluem:

  • Cumprimentos: Os casais se posicionam e fazem reverências uns aos outros e ao público.

  • Anarriê e Alavantú: Comandos de origem francesa, onde os dançarinos vão para trás (en arrière) e para a frente (en avant).

  • Passeio na roça: Os casais caminham em roda, simulando um passeio pelo campo.

  • O Grande Túnel/Caracol: Os participantes formam um caminho por onde os outros casais passam por baixo.

  • Casamento Matuto: Uma representação teatral cômica com noivos, padres, delegados e convidados, culminando em uma grande festa no arraial. 

Dança de Fitas Sulista

Essa manifestação cultural também conhecida como Pau-de-fitas ou Trança Fitas é uma tradição folclórica que envolve pares de dançarinos girando ao redor de um mastro central. Segurando fitas coloridas, eles trançam e destrançam o mastro com passos coreografados ao som de instrumentos como sanfona, violão e pandeiro.

Acredita-se que a dança tenha origem milenar na Europa, onde povos antigos celebravam o fim do inverno e a chegada da primavera reverenciando as árvores. No Brasil, foi trazida por imigrantes europeus — especialmente no Sul do país — e acabou sendo incorporada às festas juninas, Folia de Reis e outras celebrações populares. E as fitas representam o renascimento e a união, enquanto a roda representa a coletividade e a alegria.

I. Questões simplificadas

  1. Como os portugueses e os africanos contribuíram para o surgimento do Samba de Roda?


  2. Por que o Samba de Roda é considerado uma dança circular?


  3. O “Miudinho” é um dos passos principais do Samba de Roda, como ele é coreografado?


  1. Explique como acontece a dança Ciranda.


  1. Qual a relação da dança Samba de Roda e o período da escravidão no Brasil?


  2. Qual é a função simbólica das danças circulares ou danças de roda?

    a) Ensinar técnicas de luta para a comunidade.

    b) Manter a união e a harmonia do grupo.

    c) Escolher o melhor dançarino do grupo.

    d) Representar apenas momentos de tristeza.


  1. Por que os povos antigos praticavam as danças circulares para cultuar as forças da natureza? a) Porque faziam competições entre diferentes vilas.

    b) Porque utilizavam apenas instrumentos eletrônicos.

    c) Porque observavam que os fenômenos da natureza (como as estações) se repetiam em ciclos.

    d) Porque aprendiam a dançar assistindo a vídeos antigos.


  1. As Danças de Roda no Brasil surgiram a partir da mistura de quais culturas?

    a) Asiática, europeia e americana.

    b) Indígena, afro-brasileira e europeia.

    c) Africana, asiática e indígena.

    d) Francesa, inglesa e espanhola apenas.


  2. Samba de Roda, como é chamado o passo em que a base é feita com o pé inteiro em movimentos curtos e rápidos próximos ao chão?

    a) Umbigada.

    b) Anarriê.

    c) Miudinho.

    d) Caracol.


  3. Qual é a dança comunitária e simples do Nordeste em que as pessoas vão dando as mãos na roda com passos que parecem as ondas do mar?

    a) Quadrilha.

    b) Ciranda.

    c) Jacundá.

    d) Dança de Fitas.


  4. Na dança do Carimbó, como as mulheres utilizam as suas trajes durante a apresentação?

    a) Rodam suas saias coloridas tentando cobrir a cabeça dos homens.

    b) Dançam usando apenas fitas trançadas nos braços.

    c) Seguram mastros de madeira no centro da roda.

    d) Usam roupas pretas sem movimentos giratórios.


  5. Qual é a principal característica da brincadeira na dança do Jacundá Amazônico?

    a) Duas pessoas no centro da roda tentam sair como se fossem peixes.

    b) Os casais passam por baixo de um grande túnel de flores.

    c) A roda fica totalmente parada enquanto um mestre canta sozinho.

    d) Os dançarinos precisam quebrar cocos com os joelhos.


  6. Na Roda de Coco, de onde vem o som que imita o barulho do coco sendo quebrado?

    a) Das palmas do público nas arquibancadas.

    b) Das batidas dos pés, que podem ser descalços ou com calçados de madeira.

    c) Dos movimentos das saias das dançarinas no ar.

    d) Dos apitos do organizador do evento.


  7. Quem é o responsável por ditar os comandos e orientar os passos e formações em uma Quadrilha Junina?

    a) O Mestre Coquista.

    b) O Tocador de Berimbau.

    c) O Marcador.

    d) O Tocador de Zabumba.


  8. Na Dança de Fitas, o que a roda e as fitas coloridas trançadas ao redor do mastro representam? a) As estações da seca e as tempestades de inverno.

    b) A individualidade de cada dançarino e o silêncio.

    c) A velocidade dos carros e a modernidade das cidades.

    d) As fitas representam o renascimento e a união, e a roda representa a coletividade e a alegria.


II. Questões contextualizadas

1. (A Roda como Símbolo e Conexão com a Natureza)

O texto explica que, para os povos antigos, as danças circulares surgiram da observação dos ciclos da natureza (como as estações do ano, chuva e seca). Com base nessa ideia, explique qual é a função simbólica da forma em círculo (roda) nas danças tradicionais e por que essa formação favorece o sentimento de união no grupo.


2. (Diversidade Cultural Brasileira)

As Danças de Roda no Brasil são definidas como o resultado da fusão entre as culturas indígena, afro-brasileira e europeia. Escolha duas danças mencionadas no texto e explique resumidamente como a influência dessas diferentes culturas se manifesta nos seus ritmos, instrumentos ou passos.


3. (Análise de Linguagem Corporal e Ritual – Samba de Roda)

No Samba de Roda, a dinâmica entre os participantes divide papéis muito claros entre a música, executada predominantemente por homens, e a dança, protagonizada por mulheres. Descreva como funcionam os dois passos coreográficos citados no texto ("miudinho" e "umbigada") e qual a importância da umbigada para a dinâmica da roda.


4. (Dança e Brincadeira – Jacundá e Carimbó)

Muitas danças de roda brasileiras misturam passos de dança com elementos de jogos, brincadeiras e encenações. Escolha uma das danças a seguir e explique como a brincadeira acontece na prática:


a) O Jacundá Amazônico


b) O Carimbó Paraense


5. (Transformação Histórica – A Quadrilha Junina

A Quadrilha Junina é uma das danças folclóricas mais populares do Brasil, mas sua origem remonta às quadrilles das cortes francesas e inglesas do século XVIII. Explique como uma dança de salão europeia se transformou na Quadrilha brasileira atual, citando o papel do "marcador" e a inclusão do "casamento matuto".


6. (Contexto: Vivência Comunitária e Acessibilidade)

Em uma festa comunitária de um bairro, pessoas de várias idades — desde crianças pequenas até idosos — deram-se as mãos e começaram a girar em um grande círculo ao som do bombo e da zabumba. Os passos eram cadenciados para a direita e lembravam o balanço das ondas do mar. Qualquer um que chegava podia simplesmente dar a mão e entrar no grupo.

  • A qual dança tradicional brasileira a situação descrita se refere?

a) Quadrilha Junina.

b) Ciranda.

c) Jacundá Amazônico.

d) Dança de Fitas.


7. (Contexto: Lúdico e Tradição Indígena)

Na região Amazônica, alunos de uma escola fizeram uma brincadeira de roda diferente: duas crianças ficaram no centro da roda tentando "escapar" da barreira humana criada pelos colegas, simulando a agilidade de peixes tentando sair de uma rede, enquanto o grupo cantava "É tu, é tu, é tu é jacaré coroa!".

  • Essa dinâmica lúdica e ancestral de origem indígena é característica de qual manifestação cultural?

a) Carimbó Paraense.

b) Roda de Coco.

c) Jacundá Amazônico.

d) Samba de Roda.


8. (Contexto: Relação entre Música, Som e Movimento)

Um grupo de dança folclórica apresentou-se no teatro da cidade. O público notou um detalhe marcante: além dos instrumentos musicais tradicionais como o pandeiro e o ganzá, o próprio ritmo da dança era marcado pelo som forte dos pés dos dançarinos batendo no chão — usando calçados de madeira —, imitando o barulho de algo sendo quebrado.

  • A descrição acima corresponde a qual tradição afro-brasileira típica do Nordeste?

a) Roda de Coco (ou Coco de Roda).

b) Dança de Fitas.

c) Quadrilha Junina.

d) Ciranda.


9. (Contexto: Origem Histórica e Transformação Cultural)

As festas juninas no Brasil são marcadas por uma dança de roda muito popular que nasceu nas cortes francesas e inglesas do século XVIII (a quadrille) e foi trazida pela corte portuguesa. Ao longo do tempo, ela se transformou, incorporou o casamento matuto, os comandos em francês adaptados (como anarriê e alavantú) e a figura do "marcador".

  • O texto descreve a história e a evolução da:

a) Ciranda Pernambucana.

b) Quadrilha Junina.

c) Dança de Fitas Sulista.

d) Dança do Carimbó.

Dicas e atividades

1. Oficina dos Passos e Matrizes (Samba de Roda & Roda de Coco)

  • Contexto: Compreender na prática como os instrumentos e os pés constroem o ritmo das danças afro-brasileiras.

  • Como fazer:

    1. Divida a turma em dois grandes círculos.

    2. Etapa Samba de Roda: Um grupo marca o ritmo com palmas e cantigas enquanto o outro experimenta a base do passo "miudinho" (movimentos curtos, pés bem próximos ao chão e ágeis). Ao centro, os alunos praticam o gesto da "umbigada" de forma respeitosa e divertida para passar a vez ao colega.

    3. Etapa Roda de Coco: Em seguida, experimentem a percussão dos pés. Os alunos testam diferentes "pisadas" e sapateados no chão (simulando a quebra do coco), percebendo como o próprio corpo vira um instrumento musical.

  • Debate Rápido: Como a velocidade dos pés e as palmas mudam a energia do grupo quando estamos em roda?


2. O Desafio do Peixe no Açude (Jogo Dramático – Jacundá Amazônico)

  • Contexto: Vivenciar uma dança-brincadeira de origem indígena em que a roda ganha a função de "rede de pesca".

  • Como fazer:

    1. A turma forma um grande círculo de mãos dadas bem firmes.

    2. Duas pessoas vão para o centro (representando os peixes/jacundá).

    3. Enquanto o grupo canta a cantiga tradicional ("É tu, é tu, é tu é jacaré coroa!" ou "Jacaré me convidou para dançar o Jacundá"), os dois alunos no centro tentam achar brechas para sair da roda.

    4. Quem deixar a dupla passar precisa ir para o centro e dançar a próxima rodada.

  • Debate Rápido: Por que para os povos indígenas a dança e a brincadeira andam juntas? Qual o papel da cooperação para não deixar a roda "quebrar"?


3. Releitura Contemporânea da Quadrilha (O Marcador do Futuro)

  • Contexto: Analisar a evolução da quadrille francesa para a quadrilha brasileira e atualizar seus comandos tradicionais.

  • Como fazer:

    1. Em duplas organizadas em fila ou círculo, apresente os passos tradicionais (Anarriê, Alavantú, Passeio na roça, Túnel).

    2. Em grupos, peça para os alunos assumirem o papel do "Marcador" e criarem novos comandos contextualizados com a realidade deles (ex: "Olha a foto pro feed!", "Troca o Wi-Fi!", "Desvia do trânsito!").

    3. Cada grupo apresenta sua mini-quadrilha com os comandos criados pela turma.

  • Debate Rápido: Como uma tradição europeia trazida no século XIX se transformou e continua se transformando no Brasil de hoje?


4. A Ciranda Comunitária e o Fluxo do Mar (Vivência de Inclusão)

  • Contexto: Experimentar a ciranda como uma dança democrática, simples e sem hierarquias, onde qualquer pessoa pode entrar.

  • Como fazer:

    1. A turma começa em uma roda pequena. O professor coloca uma cantiga tradicional de Ciranda (como as de Lia de Itamaracá).

    2. O passo base é ensinado: quatro passos para a direita, balançando os braços no ritmo da percussão (simulando a onda do mar).

    3. Gradativamente, o professor vai chamando outros alunos, professores ou funcionários da escola para "dar a mão e entrar na roda", mostrando na prática como a ciranda acolhe a todos sem exigência de "saber dançar perfeitamente".

  • Debate Rápido: O que sentimos quando a roda cresce e acolhe novas pessoas? Existe "erro" quando estamos dançando juntos em ciranda?


📋 Ficha de Registro / Diário de Bordo (Para o Aluno)

Para registrar a vivência prática no caderno, você pode pedir que responderem às seguintes perguntas após as oficinas:

  1. Sensação Corporal: Qual foi a dança mais desafiadora para o seu corpo (ritmo, velocidade ou equilíbrio) e por quê?

  2. Percepção da Roda: O que mudou na sua atenção ao colega quando você teve que dançar de mãos dadas ou olhando de frente para a turma toda?

  3. Conexão Cultural: Qual das danças você achou mais interessante e qual elemento dela (música, roupa, história ou passo) mais te chamou a atenção?

Habilidades

1. Contextos e Práticas (Reconhecimento, História e Diversidade)

  • (EF69AR09) Pesquisar e analisar diferentes formas de expressão, representação e encenação da dança, reconhecendo e apreciando composições de dança de artistas e grupos brasileiros e estrangeiros de diferentes épocas e matrizes estéticas e culturais.

    Aplicação no texto/atividades: Quando os alunos identificam e comparam o Samba de Roda, o Carimbó, a Ciranda e a Quadrilha, compreendendo suas origens (matrizes indígena, afro-brasileira e europeia).

  • (EF69AR10) Explorar elementos constitutivos do movimento cotidiano e do movimento dançado, abordando, criticamente, o desenvolvimento das formas da dança em sua história tradicional e contemporânea.

    Aplicação no texto/atividades: Quando se analisa como as danças de roda surgiram a partir da observação dos ciclos da natureza e como os movimentos do cotidiano/trabalho (como quebrar o coco na Roda de Coco ou pescar no Jacundá) viraram passos de dança.

2. Elementos da Linguagem (Composição e Dinâmica Corporal)

  • (EF69AR11) Experimentar e analisar os fatores de movimento (tempo, peso, fluência e espaço) como elementos que estruturam a linguagem corporal da dança.

    Aplicação no texto/atividades: Ao estudar os passos específicos das danças, como o miudinho (espaço curto e tempo rápido), as ondas do mar na Ciranda (fluência) e o sapateado com calçado de madeira na Roda de Coco (peso e ritmo).

  • (EF69AR12) Testar e discutir formas de orientação no espaço (deslocamentos, trajetórias, direções, caminhos etc.) e ritmos de movimento (lento, moderado, rápido etc.) na construção de coreografias individuais e coletivas.

    Aplicação no texto/atividades: Fundamental para o conceito de roda/círculo, o giro para a direita na Ciranda, a roda que se fecha no Jacundá ou os comandos de trajeto do marcador na Quadrilha (como o Caracol e o Túnel).

3. Processos de Criação e Matrizes Culturais

  • (EF69AR14) Analizar e experimentar diferentes formas de integração da dança com as demais linguagens artísticas (como a música, as artes visuais e o teatro).

    Aplicação no texto/atividades: Presente no Carimbó e no Samba de Roda (integração entre dança e música percussiva), e especialmente na Quadrilha Junina (integração da dança com o figurino/artes visuais e a encenação do Casamento Matuto/teatro).

  • (EF69AR15) Discutir as experiências corporais pessoais e coletivas vivenciadas na escola, problematizando estereótipos e preconceitos de gênero, raça e classe presentes nos discursos sobre o corpo e a dança.

    Aplicação no texto/atividades: Ao trabalhar a Ciranda e o Samba de Roda como expressões comunitárias e inclusivas (para todas as idades, corpos e gêneros), e valorizar o patrimônio cultural afro-brasileiro e indígena.

Gabarito

Questões simplificadas: Possíveis respostas.

  1. O Samba de Roda é um fruto direto do encontro e da fusão cultural no Recôncavo Baiano por volta do século XVII:

    • Contribuição Africana (Base e Ritmo): Os povos africanos escravizados trouxeram a essência da expressão: a percussão marcante (atabaques), o canto responsivo (no qual um puxa o verso e a roda responde em coro), os passos de dança com foco na expressão corporal, os giros e, fundamentalmente, a umbigada (um gesto de tradição Bantu utilizado como convite para a dança).

    • Contribuição Portuguesa (Melodia e Instrumentos): Os portugueses contribuíram principalmente com os instrumentos de corda — como a viola e o mosaico harmônico —, além de influências nas trovas, na estrutura poética das cantigas e no uso de instrumentos trazidos e adaptados da Europa, como o pandeiro e o chocalho.

  2. Ele é considerado uma dança circular porque sua estrutura espacial e social ocorre em forma de roda (círculo).

    Nessa formação, os tocadores, cantores e participantes fecham um círculo onde todos se enxergam de frente, mantendo o ritmo coletivo com palmas e cantos. A roda cria um espaço protegido e democrático no centro, onde um ou dois dançarinos entram por vez para solar e se expressar corporalmente antes de passar a vez ao próximo.

  3. O "Miudinho" é um dos passos mais característicos e habilidosos do Samba de Roda. Ele é coreografado da seguinte forma:

    • Base dos Pés: A dançarina mantém a sola dos pés inteira (ou quase inteira) em contato com o chão.

    • Movimentos Curtos e Ágeis: Os passos são feitos de forma extremamente curta, rápida e bem próxima ao solo, exigindo grande agilidade dos pés e controle do quadril.

    • Deslocamento Mínimo: A magia do miudinho está no fato de a pessoa sambar com pés muito ágeis e vibrantes praticamente sem sair do lugar, mantendo o corpo firme e equilibrado enquanto o quadril acompanha a percussão.

  4. A Ciranda é uma dança de roda comunitária, simples e inclusiva, originária do Nordeste (com grande destaque para Pernambuco):

    • Formação: Os participantes dão-se as mãos formando um grande círculo que pode crescer infinitamente à medida que mais pessoas chegam. Não há limite de idade, gênero ou preparação técnica.

    • Movimento e Passo Base: O bailado é ritmado pela batida forte da percussão (bombo, zabumba, caixa). Os participantes dão passos cadenciados para a direita, fazendo movimentos para dentro e para fora do círculo com o corpo e balançando os braços, criando um fluxo contínuo que lembra o balanço das ondas do mar.

    • Espontaneidade: É uma dança alegre e democrática, marcada pelo canto coletivo e pelo sentimento de acolhimento na roda.

  5. A relação entre o Samba de Roda e o período da escravidão é profunda e histórica:

    • Resistência e Preservação Ancestral: O Samba de Roda nasceu nas senzalas, engenhos e terreiros do Recôncavo Baiano. Para os africanos escravizados, a dança e o batuque eram formas fundamentais de resistência cultural e psicológica, permitindo que mantivessem viva a memória de suas terras originais, suas linguagens, seus ritmos e sua espiritualidade em meio ao sistema opressor.

    • Conexão com a Capoeira e a Espiritualidade: Desenvolveu-se em estreita ligação com a Capoeira (que era disfarçada de dança/luta) e com o culto aos Orixás. A roda era um momento de celebração, união comunitária e extravasamento de dores e alegrias.

    • Legado de Patrimônio: Mesmo sofrendo perseguições e preconceitos ao longo da história pós-abolicionista, o Samba de Roda resistiu graças à tradição oral transmitida por gerações (especialmente pelas mestras sambadeiras), tornando-se hoje reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil e da Humanidade.

  6. B — Manter a união e a harmonia do grupo.

  7. C — Porque observavam que os fenômenos da natureza (como as estações) se repetiam em ciclos.

  8. B — Indígena, afro-brasileira e europeia.

  9. C — Miudinho.

  10. B — Ciranda.

  11. A — Rodam suas saias coloridas tentando cobrir a cabeça dos homens.

  12. A — Duas pessoas no centro da roda tentam sair como se fossem peixes.

  13. B — Das batidas dos pés, que podem ser descalços ou com calçados de madeira.

  14. C — O Marcador.

  15. D — As fitas representam o renascimento e a união, e a roda representa a coletividade e a alegria.


Questões contextualizadas: Respostas esperadas.

  1. O aluno deve mencionar que o círculo representa os padrões e ciclos da natureza (estações, colheitas) e que a roda simboliza a união, coletividade e igualdade, pois todos se olham de frente e compartilham o mesmo espaço sem hierarquias.

  2. O aluno pode citar, por exemplo: o Samba de Roda (herança afro-brasileira, atabaques/berimbau), o Jacundá (origem indígena), a Quadrilha (origem europeia/francesa com adaptação sertaneja/caipira) ou o Carimbó (mistura das três matrizes).

  3. Pode descrever o miudinho (passos curtos, rápidos, próximos ao chão) e a umbigada (aproximação/toque de barriga que serve como convite ou para passar a vez de dançar no centro da roda).

  4. Questão 4:

    • Se escolher Jacundá: Explicar que a dupla no centro simula peixes tentando escapar da roda, enquanto os outros tentam impedir.

    • Se escolher Carimbó: Explicar o jogo de sedução no qual os homens convidam batendo palmas e as mulheres usam as saias rodadas tentando cobrir a cabeça do parceiro.

  5. Questão 5: O aluno deve explicar que a dança veio com a corte portuguesa no século XIX, foi assimilada pelo povo e ganhou elementos da cultura caipira/sertaneja. Deve destacar que o marcador orienta os passos (usando termos adaptados do francês) e que o casamento matuto traz o elemento teatral e cômico à festa.

  6. B — A Ciranda é reconhecida por ser uma dança comunitária, democrática (para todas as idades) e com passos que simulam as ondas do mar.

  7. C — O Jacundá é uma dança-brincadeira de origem indígena em que a dupla central simula peixes tentando sair da roda.

  8. A — Na Roda de Coco, a percussão dos pés (sapateado/pisadas com calçado de madeira ou pés descalços) marca o ritmo imitando o coco sendo quebrado.

  9. B — A Quadrilha Junina é o resultado da adaptação popular brasileira das quadrilles europeias, mantendo até hoje os comandos oriundos do francês.

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