Plano de Aula: A Evolução da Música na Antiguidade - 8 e 9 anos - Fundamental II
Público-alvo: 8º e 9º ano do Ensino Fundamental.

Artes na Sala de Aula
📌 Plano de Aula I: A Evolução da Música na Antiguidade
Público-alvo: 8º e 9º ano do Ensino Fundamental.
Duração sugerida: 3 aulas (aprox. 50 minutos cada).
Unidade Temática (BNCC): Música / As artes visuais e a história da cultura
Habilidades BNCC Alvo:
(EF69AR16): Analisar criticamente, por meio da apreciação musical, usos e funções da música em seus contextos de produção e circulação.
(EF69AR18): Reconhecer e apreciar o papel de músicos e de grupos de música brasileiros e estrangeiros que contribuíram para o desenvolvimento da música e de suas formas de expressão.
(EF69AR20): Explorar e analisar fontes materiais e imateriais da cultura musical em diferentes tempos e espaços.
(EF69AR21): Explorar e analisar elementos constitutivos da música (altura, intensidade, timbre, ritmo, melodia, harmonia) por meio de recursos tecnológicos, instrumentos convencionais e não convencionais.
🎶Objetivos Principais:
Compreender a música como uma linguagem universal e ancestral.
Diferenciar a função social e espiritual da música nas civilizações antigas.
Reconhecer as origens dos instrumentos musicais modernos através dos antigos.
Abordar a leitura e integra com o pensamento crítico, escuta ativa, análise cultural e protagonismo dos estudantes.
🗺️ Resumo para o Quadro (Mapa Mental):
Use esta tabela como fechamento da leitura para ajudar os alunos a fixarem as características e organizarem os cadernos.
Civilização / Período | Função Principal da Música | Instrumentos Destacados | Característica Chave |
Pré-História | Rituais, comunicação, imitação | Voz, palmas, flautas de osso | Som criado antes da invenção da escrita. |
Mesopotâmia | Banquetes de corte, rituais | Liras, harpas, alaúdes | Primeiros registros escritos; grandes orquestras. |
África Antiga | Marcação de cerimônias, tradição oral | Voz e percussão | Polirritmia e diálogo entre os instrumentos. |
Egito Antigo | Poderes mágicos e terapêuticos | Sistro, harpas, liras | Acreditavam ser invenção do deus Thoth. |
Grécia e Roma | Teatro, filosofia (Grécia); Militar (Roma) | Lira, Aulo, Tuba, Tíbia | Ligação com a moral; marchas de legiões. |
China Antiga | Harmonia para corpo e império | Guqin, Pipa, Xun, Erhu | Escala pentatônica (5 notas); materiais da natureza. |
Índia Antiga | Expressão de emoções profundas | Sitar, Tabla, Harmonium | Baseada em raga (melodia) e tala (ritmo). |
📝 Estrutura e Atividades das Aulas
Aula 1: O Despertar do Som (Pré-História, Mesopotâmia e África)
Dinâmica: Faça a leitura compartilhada da primeira metade do texto (até "Continente Africano").
(o texto segue em anexo ao final da página)
Atividade Prática: Como o texto cita que os africanos e os homens pré-históricos usavam muito o corpo e a polirritmia (vários ritmos ao mesmo tempo), essa é a hora perfeita para tirá-los da cadeira.
1.Ouvindo a Natureza:5 minutos.
Peça que os alunos fechem os olhos e fiquem em silêncio absoluto. Eles devem identificar todos os sons ao redor da escola. Discuta como o homem primitivo fazia o mesmo para criar música.
2.Divisão dos Grupos:2 minutos.
Divida a sala em três grandes grupos (A, B e C) para montar uma orquestra corporal.
3.Construção da Polirritmia:10 minutos.
Ensine um padrão diferente para cada grupo. O Grupo A marca um pulso lento e constante batendo os pés no chão. O Grupo B bate palmas rápidas. O Grupo C faz um som vocal ritmado (ex: um estalo de língua ou "bum-bum-pá").
4.Execução Conjunta e Diálogo:10 minutos.
Inicie o Grupo A, depois adicione o B e, por fim, o C. Quando estiverem soando juntos, brinque de regente, aumentando ou diminuindo o volume de cada grupo, demonstrando na prática o que é a interdependência citada no texto.
Aula 2: O Som dos Impérios (Egito, Grécia, Roma, China e Índia)
Dinâmica: Finalize a leitura da segunda metade do texto.
Atividade de Fixação: "Feira das Civilizações".
Sorteie uma civilização (Egito, Grécia, Roma, China ou Índia) para pequenos grupos de alunos.
Eles terão 15 minutos para reler a parte deles e montar um pitch (uma apresentação rápida de 2 minutos)
O desafio: Eles são "vendedores" da antiguidade tentando convencer a turma de que a música e os instrumentos da sua civilização são os melhores e mais úteis. Isso trabalha a oratória e a interpretação de texto.
Aula 3: Arqueologia Musical (Atividade Maker)
Dinâmica: Peça com antecedência que tragam materiais recicláveis (garrafas PET, tampinhas, elásticos, barbante, latas, pedaços de madeira, canos de PVC).
A Missão: Em duplas, eles devem criar um instrumento musical inspirado na antiguidade. Pode ser um instrumento de percussão semelhante ao Sistro egípcio (usando arame e tampinhas), um de cordas lembrando a Lira (lata com elásticos esticados) ou sopro (flauta de PVC).
Entrega: Eles devem dar um nome ao instrumento e explicar a qual civilização antiga ele melhor se encaixaria, baseando-se nas regras de materiais do texto (ex: materiais da natureza da China).
Texto norteador
Arte e a Música
A música é uma forma de Arte formada por uma combinação de sons, harmonia, melodia e ritmos. Hoje a música possui uma extrema importância na vida do homem, e está presente ao nosso redor e sempre vamos identificá-la em nossas vidas, por meio de toques de celulares, sons do computador, propagandas de TV, vídeos de tiktoks, teatros, dentre outros.
A música acompanha a humanidade desde os primórdios. Nascida antes da linguagem verbal, surgiu da observação dos sons da natureza e do uso do corpo para expressar emoções. De rituais em cavernas a concertos contemporâneos, ela evoluiu continuamente, refletindo as transformações culturais, sociais e tecnológicas de cada época.
A MÚSICA AO LONGO DA HISTÓRIA
Primitivo a Antiguidade
Pré História
Os vestígios mais antigos de instrumentos musicais, como flautas feitas de ossos, datam de cerca de 40.000 a 50.000 anos atrás. Os seres humanos começaram a desenvolver ações com sons baseadas na observação dos fenômenos da natureza, por exemplo, os ruídos das ondas, dos trovões, a comunicação entre os animais, o barulho do vento balançando as árvores. Além dos sons corporais como, os sons das palmas, dos pés batendo no chão, da própria voz, as batidas do coração, entre outros. Assim a m úsica pré-histórica refere-se aos sons criados antes da invenção da escrita. Os primeiros humanos utilizavam a voz, percussão corporal (palmas), e objetos da natureza para imitar o som dos animais e dos fenômenos naturais, servindo para rituais, rituais de caça, rituais religiosos e comunicação.
Antiguidade
A música na Antiguidade compreende as práticas sonoras das primeiras civilizações junto com a escrita (c. 4.000 a.C. até 476 d.C.), destacando-se em culturas como Egito, Mesopotâmia, China, Índia, Grécia e Roma. Ela possuía forte ligação com rituais sagrados, funções políticas e o cotidiano.
Mesopotâmia
A música na Mesopotâmia era onipresente, essencial em rituais religiosos, banquetes nas cortes e cerimônias. Os Sumérios, Babilônios e Assírios nos deixaram os primeiros registros documentados da história musical, incluindo tratados de afinação em escrita cuneiforme e a evidência de instrumentos como liras e harpas. O povo Assírio foi um dos primeiros a formar grandes orquestras (com até 150 componentes). Entre os instrumentos mais utilizados estavam:
Cordas: Liras, Harpas e Alaúdes.
Sopro: Flautas de madeira e metal.
Percussão: Tambores, Matracas e Sistros (chocalhos de metal).
Continente Africano
A música africana na antiguidade cumpria funções sagradas, sociais e de transmissão de histórias. Evidências em pinturas rupestres no deserto do Saara, como em Tassili n'Ajjer (Argélia), datadas de 6000 a 4000 a.C., mostram cenas de dança e instrumentos. Os cantos e ritmos eram ferramentas de comunicação vital e oralidade. Na antiguidade do continente africano, a música não existia apenas pela "beleza", mas tinha funções práticas muito específicas. As tradições musicais serviam para acompanhar rituais religiosos, marcar cerimônias de passagem (como nascimentos, casamentos e funerais) e fornecer orientação moral aos membros da comunidade. A música africana antiga é vasta e variava entre as inúmeras etnias, mas compartilhava características fundamentais:
Polirritmia: O uso de múltiplos ritmos tocados simultaneamente.
Tradição Oral: As letras funcionavam como repositórios de conhecimento, preservando mitos e a genealogia dos povos, passados de geração em geração.
Interdependência: A voz humana e os instrumentos frequentemente realizavam um diálogo, onde um respondia ao outro.
Os instrumentos musicais africanos antigos são predominantemente de percussão, cordas e sopro, construídos artesanalmente com materiais naturais como madeira, cabaças e peles de animais. Os principais exemplos incluem:
Cora (ou Corá): Harpa-alaúde com 21 cordas, possui caixa de ressonância de cabaça e produz um som cristalino, semelhante à harpa.
Balafon: Instrumento de percussão de teclas de madeira com cabaças como ressonadores, considerado o precursor do xilofone.
Mbira (ou Kalimba): Conhecido popularmente como "piano de polegar", consiste em lâminas de metal ou madeira fixadas em uma base.
Djembé: Tambor em formato de cálice esculpido em tronco de árvore e coberto com pele de animal, originário da África Ocidental.
Egito Antigo
Fora da África Subsaariana, a música no Antigo Egito tinha um papel central e divino, em 4.000 a.C., era considerada uma invenção do deus Thoth. Ela estava presente em cerimônias religiosas, rituais funerários, ritos para agricultura e banquetes. Os músicos ocupavam posição de destaque, utilizando instrumentos como Harpas, Liras, Flautas e o Sistro (chocalho sagrado). Os egípcios acreditavam que a música possuía poderes mágicos e terapêuticos. Além de ser uma oferenda aos deuses, acreditava-se que certas melodias e instrumentos, especialmente o Sistro, conseguiam apaziguar divindades furiosas e afastar maus espíritos.
Grécia e Roma
A música na Grécia e Roma antigas era essencial para rituais, teatro e educação. Os gregos desenvolveram a base teórica e filosófica (ligada ao cosmo e à moral). Os romanos herdaram essa tradição, focando em cerimônias públicas, música militar e eventos sociais. A palavra "música" (mousikē) vem do grego, das Musas e englobava arte, poesia e ciência. Os gregos acreditavam que a música tinha poderes mágicos e terapêuticos. Ela era monofônica (uma única melodia), baseada em um sistema de modos (escalas), e acompanhava a recitação de epopeias. Os principais instrumentos musicais eram a Lira (instrumento de cordas associado a Apolo), a Cítara e o Aulo (uma flauta de palheta dupla). Já a música romana foi fortemente baseada na herança helenística, mas desenvolveu um caráter próprio voltado para o gigantismo e a funcionalidade. A Tíbia (versão romana do Aulo grego), o Lituus e a Tuba (trombetas de metal) eram fundamentais nas legiões militares, no circo e em rituais fúnebres. O vocabulário musical latino deriva quase todo do grego, demonstrando essa forte assimilação cultural.
China Antiga
A música chinesa antiga possui uma rica herança que remonta há mais de 7.000 anos, profundamente ligada à filosofia e às forças da natureza. Ela se baseia em uma escala pentatônica — Gong, Shang, Jue, Zhi e Yu — e utiliza o sistema de oito categorias de instrumentos (Ba yin) moldados em materiais como seda, bambu e jade. A música não era vista apenas como entretenimento, mas como uma ferramenta moral e espiritual. Filósofos como Confúcio defendiam que melodias adequadas traziam harmonia para o corpo e para o império. Os instrumentos tradicionais são o coração dessa arte, divididos tradicionalmente em oito sons (Ba yin) conforme o material:
Corda: O Guqin (uma espécie de cítara) e o Pipa (instrumento de cordas em formato de pera muito popular na Dinastia Tang).
Sopro: O Xun (flauta globular de barro, um dos mais antigos do mundo) e o Sheng (instrumento de palheta livre).
Outros: O uso expressivo de sinos, gongos e do Erhu (instrumento de duas cordas tocado com arco).
Índia Antiga
A música clássica indiana (Índia) é uma das tradições mais antigas do mundo, cerca de 1000 a.C., enraizada nos textos sagrados hindus (Vedas). Seus pilares são o raga (melodia) e o tala (ritmo). Dividida entre a tradição do Norte (hindustani) e do Sul (carnática), ela se baseia no improviso para expressar emoções profundas. As características principais são as origens que remontam à literatura, estruturas melódicas específicas destinadas a evocar humores, estações do ano ou horas do dia e padrões rítmicos cíclicos complexos. E instrumentos musicais relevantes são o Sitar (cordas) e a Tabla (percussão), além do Harmonium.
Assim a humanidade possui uma relação longa com a música, sendo essa umas das formas de manifestação cultural mais antigas. E assim a música na Antiguidade tinha um papel sagrado, político e terapêutico. Ela conectava os humanos ao divino, acompanhava ritos e guerras, e era vista como ferramenta educacional.