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O Ritmo das Telas – Artes Visuais e a Música Brasileira - Anos Finais e Ensino Médio

A imagem mostra uma pintura colorida em estilo Naïf (arte popular) do artista brasileiro Heitor dos Prazeres, retratando uma animada cena de música e dança em uma rua. Toda a composição evoca o ritmo do samba e do choro.

Seis personagens negros e esbeltos, com os rostos voltados para cima e corpos expressivos, ocupam o primeiro plano:

Os músicos: No centro, três homens tocam instrumentos. O primeiro, à esquerda, usa um terno azul risca-de-giz e toca flauta. O músico do meio usa um terno branco com gravata borboleta e toca um violão amarelo. O terceiro músico, à direita, usa um terno lilás e toca um cavaquinho. Todos os três usam sapatos bicolores (pretos e brancos) e chapéus estilo panamá brancos.

Os dançarinos da esquerda: Um homem com camisa listrada em preto e branco e calça branca dança com um pandeiro na mão, inclinando o corpo para trás de forma sinuosa. Atrás dele, uma mulher com um vestido vermelho rodado acompanha o passo.

A dançarina da direita: Uma mulher com um vestido azul-escuro rodado e com estampa de bolinhas brancas dança sorridente, com os braços erguidos e o corpo levemente inclinado em direção aos músicos.

O cenário: Os personagens estão na rua cinzenta de um bairro popular. Ao fundo, há um muro amarelo e casas simples com telhados de barro vermelho, pintadas em tons de rosa, verde e amarelo-claro. No topo, galhos de árvores com pequenas folhas verdes emolduram as laterais sob um céu cinzento e nublado. No canto inferior direito, a assinatura do artista diz "Heitor dos Prazeres".

Artes na Sala de Aula

Jul 17, 2026

Atenção!

Esse post contém conteúdos, questões, gabaritos, habilidades e atividades práticas.

 O Ritmo das Telas – Artes Visuais e a Música Brasileira


A identidade cultural do Brasil foi costurada pelo encontro constante entre o som e a imagem. No século XX, pintores modernistas e contemporâneos perceberam que, para retratar a alma do povo brasileiro, era obrigatório colocar o ritmo musical dentro das telas.

  • Heitor dos Prazeres e o Samba: Heitor dos Prazeres foi uma figura única: ele foi um dos fundadores das primeiras escolas de samba do Rio de Janeiro, compositor talentoso e, ao mesmo tempo, um grande pintor da Arte Naïf (arte popular e espontânea). Em suas telas, ele usava cores vibrantes, corpos em movimento e linhas curvas para fazer quem olha a pintura quase "escutar" o batuque do samba, o gingado dos passistas e o som do pandeiro.

Heitor dos Prazeres.
Heitor dos Prazeres.
Roda de Samba”, Heitor dos Prazeres, 1965, óleo sobre tela.
Roda de Samba”, Heitor dos Prazeres, 1965, óleo sobre tela.
Samba na Lapa, Heitor dos Prazeres., 1963.
Samba na Lapa, Heitor dos Prazeres., 1963.
  • Di Cavalcanti entre o Choro e a Seresta: Outro mestre modernista, Di Cavalcanti, imortalizou as festas populares, as rodas de Choro e a vida boêmia. Suas pinturas usavam contrastes marcantes de luz e sombra e formas sinuosas para representar a melancolia e a alegria da música tipicamente carioca e brasileira.

Carnaval e Bahia, Di Cavalcanti.
Carnaval e Bahia, Di Cavalcanti.
Serenata, Di Cavalcanti, 1970.
Serenata, Di Cavalcanti, 1970.
Baile Popular, Di Cavalcante.
Baile Popular, Di Cavalcante.

  • A Tropicália e a Estética Visual (Hélio Oiticica e Rogério Duarte): Na década de 1960, o movimento da Tropicália revolucionou a música com Caetano Veloso e Gilberto Gil, mas ele nasceu, na verdade, de uma obra de arte visual! O artista plástico Hélio Oiticica criou uma instalação sensorial chamada "Tropicália" (com terra, plantas e araras). Inspirado por essa força visual, o designer Rogério Duarte criou capas de discos icônicas para a MPB, misturando colagens, cores psicodélicas e tipografias ousadas, mostrando que a capa do disco era tão artística quanto a música gravada nele.

Tropicália, obra de Oiticica, é um percurso sensorial que recria a brasilidade
Tropicália, obra de Oiticica, é um percurso sensorial que recria a brasilidade
Capa do primeiro álbum de Gilberto Gil feito por Rogério Duarte.
Capa do primeiro álbum de Gilberto Gil feito por Rogério Duarte.

📝 Questões Contextualizadas: Arte e Música Brasileira


Questão 1:

Heitor dos Prazeres e o Movimento na Pintura Naïf - Habilidade BNCC: EF69AR01.

Heitor dos Prazeres conseguiu a proeza de ser um dos grandes nomes do samba carioca e, simultaneamente, um pintor consagrado. Nas suas telas, ele frequentemente retratava rodas de samba e morros cariocas.

"Roda de Samba”, Heitor dos Prazeres, 1965, óleo sobre tela.
"Roda de Samba”, Heitor dos Prazeres, 1965, óleo sobre tela.

A) Ao analisar as pinturas de Heitor dos Prazeres, percebemos que as figuras humanas não estão estáticas (paradas). Explique quais elementos da linguagem visual (como o tipo de linhas, a inclinação dos corpos e a escolha das cores) o artista utilizava para transmitir a sensação de ritmo musical, dança e sonoridade em uma tela que, fisicamente, é silenciosa e parada.


Questão 2:

Di Cavalcanti e as Tradições Musicais: Habilidade BNCC: EF69AR02.

O pintor modernista Di Cavalcanti esteve presente na Semana de Arte Moderna de 1922 e dedicou grande parte de sua carreira a pintar o povo brasileiro, suas festas e seus músicos (como violonistas e chorões).

Serenata, Di Cavalcanti, 1925
Serenata, Di Cavalcanti, 1925
  • A música brasileira retratada por Di Cavalcanti dialoga diretamente com a construção da nossa identidade nacional. Com base no texto e na observação da obra, assinale a alternativa que descreve corretamente a intenção do artista ao unir música e artes visuais:

A) Di Cavalcanti buscava imitar os pintores franceses, retratando apenas óperas europeias e instrumentos clássicos como o piano de cauda para elitizar a cultura nacional.

B) O artista utilizava formas sinuosas, cores tropicais e temas da boemia para valorizar a cultura popular brasileira e colocar gêneros como o Choro e a Seresta no mesmo nível de importância das grandes artes mundiais.

C) As pinturas de Di Cavalcanti mostram que ele não tinha interesse pela música, usando os instrumentos apenas porque eram objetos fáceis de desenhar em linhas retas.

D) O foco do artista era criar imagens abstratas, sem que o público conseguisse reconhecer que ali havia pessoas tocando violão ou festejando.


Questão 3:

A Capa de Disco como Suporte Artístico. Habilidade BNCC: EF69AR03.

Durante o movimento da Tropicália na década de 1960, a barreira entre as Artes Visuais e a Música foi totalmente quebrada. Designers e artistas plásticos como Rogério Duarte passaram a tratar as capas dos discos de vinil como verdadeiras telas de exposição artística, utilizando colagens, fotografias distorcidas e contrastes violentos de cor para chocar e fazer o público pensar.

Pensando na era digital em que vivemos hoje (com aplicativos como Spotify e YouTube), a forma de consumir música mudou, e os discos físicos deram lugar às "thumbnails" (capas digitais em miniatura). Reflita e disserte:


A) A arte visual das capas de músicas/álbuns ainda é importante na era digital ou perdeu o sentido? 


B) Como a imagem visual ajuda a construir a identidade de um cantor ou de uma música antes mesmo de darmos o "play"?

Proposta Prática: Manifesto Visual de um Ritmo Brasileiro

  • Habilidade BNCC: EF69AR06 (Processo de Criação — Arte Urbana e Lambe-Lambe).


O movimento tropicalista usava muito a estética do cartaz e da colagem de rua (estilo lambe-lambe). Sua missão nesta atividade prática é escolher um ritmo musical genuinamente brasileiro (Samba, Forró, Frevo, Axé, Maracatu ou até o Funk ou Piseiro brasileiro) e criar um cartaz visual que represente a energia desse som.


Instruções para o seu projeto:

  1. Tipografia Ativa: Escreva o nome do ritmo escolhido ou um trecho marcante de uma música usando letras grandes, desenhadas por você de forma expressiva (podem ser letras rítmicas, derretendo, geométricas ou explosivas).

  2. Linguagem Pop/Colagem: Desenhe silhuetas de instrumentos típicos desse ritmo (um pandeiro, uma sanfona, um triângulo) ou elementos da dança (o guarda-chuva do frevo, os passos do samba), recortados visualmente por cores contrastantes.

  3. Paleta de Cores Intencional: Use cores puras e de alto contraste (complementares, por exemplo) para que seu cartaz passe a sensação de "energia sonora". Não deixe espaços em branco na folha: preencha o fundo com manchas de cor ou grafismos que imitem ondas sonoras.

💡 DICA PEDAGÓGICA

Por que este assunto funciona:

  • Contexto Histórico Nacional: Conversa diretamente com as aulas de História (Modernismo, Ditadura Militar e censura na Tropicália).

  • Conexão com a Realidade Digital: Traz o aluno para o cotidiano dele (o streaming de música), fazendo-o perceber o design gráfico como Artes Visuais em uso no mercado atual.

  • Identidade Popular: Valoriza artistas negros e periféricos, como Heitor dos Prazeres, expandindo o repertório de referências dos estudantes para além dos clássicos europeus.


Expectativa de Resposta / Gabarito Comentado

Questão 1:

  • Expectativa de Resposta: O aluno deve identificar que Heitor dos Prazeres utilizava linhas curvas, fluidas e diagonais nos contornos dos corpos para sugerir o molejo e o gingado da dança. A inclinação dos corpos (com pernas dobradas, braços abertos e cabeças jogadas para trás) quebra a rigidez e simula o movimento real dos passistas. Além disso, a escolha de uma paleta de cores vivas, puras e contrastantes (como vermelhos, amarelos e azuis intensos) transmite a atmosfera festiva, alegre e barulhenta das rodas de samba, criando uma forte sensação de ritmo visual.

Questão 2:

Gabarito: B

Justificativa pedagógica: O aluno precisa compreender o papel do Modernismo de Di Cavalcanti. Ele não buscava a cópia da elite europeia (eliminando a alternativa A) e suas obras não eram abstratas (eliminando a D), tampouco usava linhas puramente retas ou via os instrumentos apenas como objetos fáceis (eliminando a C). A alternativa B resume perfeitamente a intenção modernista de estilizar as formas e usar cores tropicais para celebrar as manifestações e gêneros musicais do povo, como o Choro e a Seresta.

Questão 3:

Expectativa de Resposta: 

A) O aluno deve argumentar que a arte visual continua sendo fundamental na era digital, mesmo tendo mudado de formato (do vinil físico para as telas dos celulares). A capa digital (ou thumbnail) funciona como a "porta de entrada" e a identidade visual imediata do artista.

B) Ela ajuda a construir o conceito estético do álbum (se a música é melancólica, alegre, futurista ou agressiva) através das cores, da fotografia e do estilo de letra utilizado. A imagem cria uma expectativa no ouvinte e ajuda a capturar a atenção do público em meio a milhares de opções nas plataformas de streaming antes mesmo do primeiro "play".


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