Artes na Sala de Aula
Jul 17, 2026
Atenção! Nesse post contém conteúdos, questões e gabarito, dicas de atividades práticas e habilidades. FOLCLORE É? É um conjunto de mitos, crenças, histórias populares, lendas, tradições e costumes que são transmitidos de geração em geração e integram a cultura popular.
- Vamos conhecer outras algumas lendas folclóricas de acordo com a região do país.
REGIÃO NORTE
LENDA DA VITÓRIA-RÉGIA: A índia Naiá estava apaixonada por Jaci, o deus da lua. Na tribo, os índios costumavam dizer que Jaci buscava as índias mais belas para transformava em estrelas. Assim, todas as noites Naiá aguardava a chegada de Jaci, até que um dia, vendo a lua refletida no rio, ela inclinou-se para beija-lo e acabou caindo na água e se afogando. Comovido com o que tinha acontecido à índia, Jaci resolve homenageá-la, mas em vez de transformá-la numa estrela como as outras, a transforma em uma vitória-régia, uma planta aquática nativa da Amazônia. Por isso, essa planta é conhecida como “estrela das águas”. |
LENDA DO GUARANÁ: Segundo a lenda, ele é originalmente os olhos de um indiozinho que foi mordido por uma serpente quando estava apanhando frutos na floresta. Esse menino foi um presente do Deus TUPÃ, já que seus pais não podiam ter filhos, ele nasceu bonito e saudável, e foi mais protegido por todos. Mas, um dia JURUPARI, o Deus da escuridão, transformado em serpente resolveu matar o indiozinho enquanto o menino estava colhendo frutos. O deus TUPÃ mandou recolher os olhos do curumim e plantar na terra firme, daí nasceu o primeiro pé de guaraná. |
REGIÃO NORDESTE |
CUCA: Trata-se de uma bruxa com aparência assustadora que possui cabeça de jacaré e unhas imensas. Dona de uma voz assustadora, ela rapta as crianças desobedientes. Reza a lenda que a bruxa Cuca dorme uma vez a cada sete anos. Por isso, os pais tentam convencer as crianças a dormirem nas horas corretas, pois, do contrário, serão levadas pela Cuca.
LENDA DA COMADRE FULOZINHA: É uma personagem folclórica bastante conhecida na Região da Mata, que inclui Pernambuco e Paraíba, lá ela é chamada também de "Mãe da Mata". Segundo conta a lenda, essa figura é uma cabocla de longos cabelos negros que vive pela floresta protegendo as plantas e animais. |
REGIÃO CENTRO-OESTE |
SACI-PERERÊ: Sabe-se que esse personagem é representado como sendo um menino negro de uma perna só, com uma carapuça vermelha, que fuma um cachimbo. Ele gosta de atrapalhar as pessoas para se perderem. Sua principal função é o de o controle, sabedoria e manuseios de tudo que estava relacionado as plantas medicinais, como Guardião das sabedorias e técnicas de preparo e uso de chás, concentrados e outros medicamentos feitos a partir de plantas.
A lenda do Saci existe desde fins dos tempos coloniais e tem origem nas tribos indígenas. O termo “Saci" vem do termo tupi sa'si, que está relacionado a um pássaro, que é conhecido pelos nomes “Saci”, “Matimpererê” ou “Martim-pererê” (em tupi: matintape're). Inicialmente, o Saci era retratado como um personagem negro e endiabrado, que possuía duas pernas e um rabo. A partir da influência africana, ele perde a perna lutando capoeira e adquire o cachimbo.
O Dia do Saci é comemorado anualmente em 31 de outubro. A data foi instituída oficialmente no Brasil por lei em 2003 para celebrar o folclore nacional e promover a cultura brasileira, servindo como um contraponto direto à forte influência estrangeira do Halloween na mesma data.
MÃE DE OURO: é descrita como uma bela mulher que possui cabelos longos e dourados. Sua habilidade é encontrar tesouros escondidos ou mesmo jazidas de ouro. Por esse motivo, ela é conhecida como a protetora dos tesouros e do ouro. Além disso, é considerada protetora da natureza, principalmente dos rios e montanhas. Note que sua intenção não é indicar aos homens os locais onde podem ser explorados, mas sim, proteger o ouro para que ele não seja extraído. Acredita-se que por conta de sua atuação, ainda existam algumas jazidas de ouro que não foram exploradas. |
REGIÃO SUDESTE |
LENDA DA MULA SEM CABEÇA: é a história de uma mulher que foi amaldiçoada por Deus como punição pelos seus pecados. A maldição transformou a mulher em uma mula que possui um freio de ferro e, que no lugar da cabeça, possui chamas de fogo. Ela costuma correr pelos campos relinchando muito alto e assustando pessoas que aparecem em seu caminho. Esta lenda é um a espécie de lição de moral religiosa. |
LINDA DO CURUPIRA: é um jovem de cabelos ruivos ligeiramente compridos, que costuma aparecer montado em um porco selvagem para defender a mata e os animais da floresta onde vive. Há quem diga que ele é, na verdade, um índio. Além dos cabelos avermelhados, ele tem seus pés virados para trás, isso o ajuda a enganar e confundir as pessoas que tentam fazer mal à floresta e aos animais. De forma a manter longe todos aqueles que querem danificar a natureza. |
REGIÃO SUL |
LENDA DA ERVA-MATE: Havia na floresta um velho índio guerreiro que vivia com sua filha, Yari, numa caverna. Sem forças para guerrear, o índio hospedava os viajantes que ali passavam. Um dia, chegou um caçador pedindo repouso e ele foi acolhido com todas as honras. Após o jantar, a filha se pôs a cantar para o jovem que dormiu imediatamente. No dia seguinte, o caçador revelou sua identidade e lhes disse que era um enviado do deus Tupã. Em agradecimento pela hospitalidade, mostrou ao ancião uma erva da qual poderia fazer um chá para recuperar suas forças. Também transformou a jovem índia na deusa que guardaria aquelas plantas e ensinaria os homens a cultivá-las e viverem em paz. Por isso, a erva-mate, é um símbolo da fraternidade e da convivência pacífica entre os seres humanos e é sempre compartilhada entre todos.
LENDA DO NEGRINHO DO PASTOREIO: Conta-se que no tempo da escravidão havia um senhor cruel que maltratava os negros escravizados. Certa vez, um dos seus escravos, um menino órfão, deixou escapar o cavalo preferido do senhor. Ele ficou furioso, mandou chicoteá-lo e ordenou que fosse colocado em cima de um formigueiro. O menino passou a noite chamando por Nossa Senhora da Conceição. Enquanto isso, o fazendeiro não conseguia dormir, levantou-se e ficou intrigado quando viu uma forte luz no terreiro. Rapidamente, ele foi até o local e qual não foi a sua surpresa em encontrar o menino espantando as últimas formigas do seu corpo. Ao seu lado, estava Nossa Senhora e do outro, relinchava o cavalo que tinha sido perdido. O menino olhou para o seu antigo senhor, montou no cavalo e saiu cavalgando. |
QUESTÕES INTERPRETATIVAS E IMAGÉTICAS
1. Sobre as lendas folclóricas, responda.
a) Quais das lendas apresentas você não conhecia, escreva? b) Das lendas citadas quais você achou mais interessantes. E por quê?
c) Você conhece outra lenda que não foi citada no texto. Se conhece, descreva-a. 2. Tarsila do Amaral, pintora brasileira, gostava de abordar as lendas folclóricas em seu trabalho. Abaixo temos a imagem de uma obra da artista.
A) ( ) Lobo B) ( ) Jacaré C) ( ) Saci D) ( ) Mula |
Questão 3
Análise Conceitual e Identidade Regional: Habilidade BNCC: EF69AR02.
O folclore brasileiro não é homogêneo; ele se transforma e reflete as realidades geográficas, históricas e sociais de cada região do país.
A) Identifique no texto duas lendas que utilizam elementos da flora ou fauna nativas de suas respectivas regiões para explicar a origem de algo. Cite a lenda e a região.
B) A lenda do Negrinho do Pastoreio (Região Sul) e a lenda da Mula sem Cabeça (Região Sudeste) carregam marcas históricas e sociais muito fortes do período em que foram criadas. Explique que marcas ou "lições" sociais estão presentes nessas duas narrativas.
Questão 4
Arte Moderna e Identidade Nacional: Habilidade BNCC: EF69AR01.
Durante o Modernismo brasileiro na década de 1920, artistas como Tarsila do Amaral buscaram criar uma arte legitimamente brasileira, afastando-se dos padrões europeus. Para isso, resgataram memórias de infância, cores vivas da nossa terra e personagens do nosso folclore.
Abaixo, temos a famosa obra "A Cuca" (1924), pintada por Tarsila do Amaral.
Analisando a pintura e o texto da lenda, assinale a alternativa correta sobre como a artista representou esse universo:
A) Tarsila pintou a Cuca de forma realista e aterrorizante, exatamente como as crianças do Nordeste a imaginavam no século XIX.
B) A artista utilizou formas estilizadas, bichos inventados e cores tropicais (como o amarelo e o verde-limão) para recriar o imaginário folclórico de forma moderna.
C) A obra mostra que Tarsila não se importava com a identidade brasileira, preferindo imitar o estilo das pinturas religiosas europeias.
D) O bicho central da pintura não possui nenhuma relação com a descrição da lenda trazida no texto.
ATIVIDADES PRÁTICAS
Estética e Elementos da Linguagem Visual: Habilidade BNCC: EF69AR04.
Se você fosse um artista plástico contemporâneo e precisasse representar a lenda da Mãe de Ouro (Centro-Oeste) ou do Saci-Pererê (Centro-Oeste) utilizando a psicologia das cores e o contraste, quais cores e formas você escolheria para passar a ideia de mistério e poder desses guardiões da natureza? Justifique sua escolha com base nas características do personagem escolhido.
Prática Artística (Ilustração e Releitura): Habilidade BNCC: EF69AR06.
Proposta Prática de Criação:
Agora é a sua vez de ser o artista! Escolha uma das lendas do texto (pode ser uma que você já conhecia ou uma nova que descobriu hoje) e faça uma releitura visual dela no espaço abaixo.
Critérios de avaliação da atividade:
Contextualização: O desenho deve conter elementos do cenário e do clima da região da lenda (ex: se escolher a Vitória-Régia, pense na densidade da floresta amazônica e nos reflexos da água).
Uso da Cor: Utilize as cores de forma intencional para criar a atmosfera da história (cores quentes para fogo/energia, cores frias para mistério/noite/água).
Técnica: O trabalho deve ocupar todo o espaço disponível e apresentar acabamento completo (desenho a lápis + pintura com lápis de cor, canetinha ou giz de cera).
💡Dicas de Mediação Pedagógica :
A Questão 3 força o aluno a interpretar o texto sob a ótica da antropologia cultural (como a geografia influencia o mito).
A Questão 4 introduz o conceito de antropofagia cultural e modernismo de forma sutil através da análise visual de Tarsila do Amaral.
GABARITO:
A) Resposta Pessoal.
B) Resposta Pessoal.
C) Resposta Pessoal.
B
Expectativa de resposta:
A) O que o aluno deve pontuar: Ele precisa associar corretamente o nome da lenda, a região indicada no texto e o elemento da natureza cuja origem é explicada (planta, fruto ou chá). Exemplos:
Opção 1: Lenda da Vitória-Régia (Região Norte) – Utiliza a flora nativa (uma planta aquática da Amazônia) para explicar a origem da planta conhecida como "estrela das águas", que nasceu do afogamento da índia Naiá.
Opção 2: Lenda do Guaraná (Região Norte) – Utiliza a flora nativa (o pé de guaraná) para explicar a origem do fruto, que nasceu dos olhos de um indiozinho enterrados a pedido do deus Tupã.
Opção 3: Lenda da Erva-Mate (Região Sul) – Utiliza a flora nativa (o arbusto da erva-mate) para explicar a origem do chá que recuperava as forças do velho índio, dado como presente pelo enviado de Tupã.
B) O que o aluno pode pontuar, um exemplo: Negrinho do Pastoreio (Região Sul) - Marcas/Lições Históricas; A lenda traz marcas profundas do período da escravidão no Brasil, evidenciando a violência e a crueldade dos senhores de terra contra as pessoas escravizadas (representada nos maus-tratos e no castigo severo aplicado ao menino órfão). Dimensão Social/Religiosa; Apresenta uma forte presença da religiosidade católica (a intervenção de Nossa Senhora da Conceição), que historicamente servia como um refúgio de esperança, justiça divina e busca por liberdade diante do sofrimento da época.
B
💡 Dica para a correção:
Ao corrigir, vale considerar o esforço do aluno em perceber que o folclore não é apenas uma "historinha para crianças", mas um espelho da história do Brasil (mostrando o período da escravidão e a influência moral e religiosa de cada época).
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