top of page

Arte Africana: História, Cultura e Simbolismo - Anos Finais

Ilustração composta por três painéis verticais inspirados na arte africana, utilizando formas geométricas e uma paleta de cores em tons de preto, vermelho, ocre, dourado, branco e marrom.
No painel da esquerda, há um escudo africano ao fundo, parcialmente coberto por uma máscara tradicional estilizada. Um chapéu de abas largas com detalhes vermelhos e uma pena branca está posicionado sobre a máscara, enquanto uma lança atravessa a composição na diagonal. O fundo escuro apresenta marcas vermelhas e texturas em tons terrosos.
No painel central, uma pessoa de pele escura, usando saia curta, brincos e um adorno na cabeça, segura um cajado e observa o horizonte com a mão sobre a testa. Ao fundo aparecem padrões geométricos, escudos decorados e um símbolo em forma de espiral representando o sol.
No painel da direita, o perfil de uma pessoa com brincos circulares dourados e adorno na cabeça ocupa o primeiro plano. Atrás dela, uma cobra com listras vermelhas, brancas e pretas se destaca entre formas geométricas que lembram rochas ou folhas. A composição combina elementos da fauna e da cultura africana em um estilo gráfico e contemporâneo.

Arte na Sala de Aula

Jul 15, 2026

Atenção!

Nesse post tem dicas de atividades práticas, questões, gabarito, conteúdos e habilidades.


Arte Africana: História, Cultura e Simbolismo

     Você sabia que ao conhecer a Arte de um determinado lugar somos capazes de entender a História e a Cultura de seu povo? Você vai ver que não podemos dizer que a Arte da África é uma só. A África é um continente enorme, com uma imensa quantidade de povos e culturas, e isso tudo faz com que existam diversas formas de manifestações artísticas. 

     A arte está diretamente ligada à criação, à imaginação e à procura do novo. A arte por muito tempo foi utilizada como um medidor de superioridade de um povo em relação ao outro. A História do Brasil comprova isso ao ter discriminado o Samba, a Capoeira, o Jongo entre outros. Por muito tempo a arte valorizada era a que vinha da Europa.

Samba
Samba
Capoeira
Capoeira
Jongo
Jongo

Arte africana na história

    Podemos dizer que os africanos conseguiram produzir uma arte bastante livre, mas ainda assim preservando o rigor que suas tradições exigiam em busca de um entendimento da espiritualidade e ancestralidade.

A história da arte africana originou-se no período pré-histórico, quando a humanidade ainda não havia inventado a escrita. Suas esculturas mais antigas encontradas, datam de 500 a.C., e foram produzidas pela cultura Nok, na região onde hoje se localiza a Nigéria. Na África subsaariana, o povo Igbo Ukwu realizou belos trabalhos em metais, principalmente bronze, além de utilizar a terracota, marfim e pedras preciosas. Mas o material mais utilizado pelos povos africanos certamente foi a madeira, com a qual produziram máscaras e esculturas. Infelizmente, grande parte dessas peças se perdeu, devido às mudanças climáticas também por conta da intolerância religiosa por parte dos muçulmanos e cristãos, que entraram em contato com essas civilizações e destruíram parte de seus acervos culturais.

Escultura em terracota da cultura Nok, na atual Nigéria. Crédito: Cedric Hernandez
Escultura em terracota da cultura Nok, na atual Nigéria. Crédito: Cedric Hernandez


Cultura Igbo Ukwu
Cultura Igbo Ukwu

Música e Dança

     A música é uma bela forma de representação artística que nos permite reconhecer os traços culturais de um lugar. A música da África é tão vasta e variada como as muitas regiões, nações e grupos étnicos deste continente. Leia um trecho de uma música que aborda o continente africano:

 

Mãe África – Sérgio Brown

 

Agora vamos fala do continente africano

Ouça o nosso rap, seja negro, ou seja, branco.

Na Bahia temos África por todos os lados 

Na cultura, culinária, na roupa e sapato.

Se você pensa que é negro, ser negro não tá só na cor

Está no suor de cada dia, de um trabalhador.

Se você pensa em comida A África irmão, é rica.

Feijoada, acarajé

pode cré não é coisa de mané

você acha que a África é tudo de mal?

Ela nos deu mano, diversidade cultural.

A África tecnologia

Ela nos deu a grande Alexandria

As coisas da África são muito importantes

Ouça nosso rap, e pense como gente grande.

Vamos revolucionar, vamos conscientiza.[...]


    A música africana não adotou nem o sistema de escrita nem as pautas. Toca-se de ouvido e a sua harmonia não é complexa, andando vinculada a melodias e às escalas. 

O instrumento musical tambor por exemplo surgiu na Pré-História, há milhares de anos. Alguns pesquisadores apontam que estes instrumentos primitivos, feitos de troncos ocos e couro de animais, surgiu na África e era utilizado, principalmente, em cerimônias religiosas e culturais.

As danças fazem parte de uma importante parcela da expressão cultural das sociedades africanas. Da mesma forma que outras manifestações, elas estão presentes em eventos cerimoniais de seus povos. O corpo, para os africanos, constitui geralmente, um elo entre o mundo terreno e divino, sendo sua movimentação uma maneira de homenagem aos espíritos, além de uma forma de descarregar tensões e energias. Muitas vezes essas danças são realizadas em círculos nas comunidades ao som de tambores e outros instrumentos de percussão.     

A Rumba, a Salsa, o Samba, Funk, Axé assim como, a Black Music foram inspiradas nas várias tradições africanas levadas pelos escravos transferidos a diferentes pontos do mundo. Na África, a vida e os múltiplos aspectos falam a linguagem da música.


As pinturas africanas

     A forte presença da figura humana nas pinturas africanas identifica a preocupação com os valores étnicos, morais e religiosos. As cores fortes também são traços marcantes desse tipo de pintura. 

  

Pintura corporal africana dos povos do Vale do Rio Omo, na Etiópia.
Pintura corporal africana dos povos do Vale do Rio Omo, na Etiópia.
Pinturas Africanas
Pinturas Africanas
Arte e Sintonia
Arte e Sintonia

Esculturas africanas

As esculturas africanas normalmente retratam animais e seres humanos. Em sua maioria, as esculturas são feitas em madeira preta, o ébano, lá eles chamam essa madeira de Mpingo. A dureza e a cor fazem do ébano um material perfeito para se esculpir.

As Máscaras Africanas

As máscaras são as formas mais conhecidas da plástica africana. É a síntese dos elementos simbólicos mais variados. Uma máscara é um ser que protege quem a carrega. Está destinada a captar a força vital que escapa de um ser humano ou de um animal no momento de sua morte. A energia captada pela máscara é redistribuída em benefício da coletividade.

As máscaras simbolizam ações e sentimentos, na figura a primeira máscara chamada Grebo (pertencente a Costa do Marfim) simboliza atenção e a segunda denominada Punu (pertencente ao Gabão), simboliza beleza e espiritualidade.

Máscara do Povo Tchokwe, Créditos: Rodrigo Tetsuo Argenton
Máscara do Povo Tchokwe, Créditos: Rodrigo Tetsuo Argenton
Máscaras africanas. Nairóbi.
Máscaras africanas. Nairóbi.

   Conclusão

A arte Africana é variada, cheia de ritmos e que não é de forma alguma maior ou menor que outras manifestações artísticas. Assim como qualquer outra a Arte Africana surgiu da necessidade de o ser humano em se expressar e se comunicar.                            


Adaptado: https://www.tudosaladeaula.com/https://www.todamateria.com.br/arte-africana/ https://www.culturagenial.com/arte-africana/

 


Questões de múltiplas escolhas: Arte Africana: História, Música e Simbolismo.


Questão 1

 Com base no texto, qual é a principal razão para a existência de uma imensa diversidade de manifestações artísticas no continente africano?

A. A unificação cultural imposta pelas religiões monoteístas.

B. A ausência de tradições antigas em sua história artística.

C. A influência exclusiva das tradições europeias locais.

D. A extensão territorial e a multiplicidade de povos.


Questão 2

Por que grande parte do acervo cultural feito em madeira pelos povos africanos não chegou aos dias de hoje?

A. Pela migração dos povos para a região de Alexandria.

B. Devido a mudanças climáticas e intolerância religiosa.

C. Devido à fragilidade natural do ébano ou mpingo.

D. Pela preferência histórica pelo uso do bronze.


Questão 3

A música 'Mãe África' de Sérgio Brown destaca que a herança africana na Bahia está presente em quais elementos?

A. Culinária, vestuário e diversidade cultural.

B. Na criação exclusiva de tecnologias de navegação.

C. No desenvolvimento de sistemas complexos de pautas.

D. Apenas na cor da pele e no estilo musical rap.


Questão 4

Na pintura africana, o que a forte presença da figura humana e o uso de cores marcantes representam?

A. Valores étnicos, morais e religiosos do povo.

B. A busca por uma representação puramente abstrata.

C. O registro técnico de animais para fins científicos.

D. Uma tentativa de imitar o estilo pictórico europeu.


  • Questões Discursivas: Arte e Cultura Africana.


Questão 5

Arte como Medidor de Superioridade: "A arte por muito tempo foi utilizada como um medidor de superioridade de um povo em relação ao outro. A História do Brasil comprova isso ao ter discriminado o samba, a capoeira, o jongo..."

  •  Com base no trecho acima e no seu entendimento do texto, explique como o conceito de "arte valorizada" vindo da Europa afetou a percepção das manifestações culturais de matriz africana no Brasil histórico e como isso se relaciona com o preconceito cultural.


Questão 6

O Desafio da Preservação Histórica: "[...] grande parte dessas peças se perdeu, devido às mudanças climáticas também por conta da intolerância religiosa por parte dos muçulmanos e cristãos..."

  • O texto aponta que muitos objetos de arte africana antiga (especialmente os feitos de madeira) não resistiram ao tempo. Explique quais foram os dois principais fatores (um natural e um social/histórico) que contribuíram para a perda desse riquíssimo acervo cultural.


Questão 7

A Função Social e Espiritual das Máscaras: "Uma máscara é um ser que protege quem a carrega. Está destinada a captar a força vital que escapa de um ser humano ou de um animal..."

  • Diferente da visão ocidental, onde máscaras costumam ser vistas apenas como adereços decorativos ou de disfarce, qual é a verdadeira função espiritual e coletiva das máscaras para os povos africanos citados no texto?


***Dica de Aplicação para o Professor(a):

Para a Questão 7, você pode pedir para os alunos desenharem ou esquematizarem os sentimentos de "atenção" ou "beleza" (como as máscaras Grebo e Punu) antes de responderem por escrito.


Questão 8

Conexões Musicais e Identidade: "Na Bahia temos África por todos os lados / Na cultura, culinária, na roupa e sapato." (Trecho da música Mãe África — Sérgio Brown)

  •  A música e a dança são formas potentes de preservação cultural. Aponte pelo menos três ritmos musicais modernos citados no texto que foram diretamente inspirados nas tradições africanas e explique como a música se conecta com a identidade do povo negro, mesmo fora do continente africano.


***Dica de Aplicação para o Professor(a):

Para a Questão 8, se houver recursos multimídia em sala, tocar um trecho de Samba, Jongo ou Afoxé ajuda a fixar o conteúdo antes de os alunos iniciarem a escrita.


Questão 9

A Pluralidade da Arte Africana: "Você vai ver que não podemos dizer que a Arte da África é uma só. A África é um continente enorme..."

  • Por que é um erro conceitual e histórico tratar a "Arte Africana" como um bloco único e homogêneo? Justifique sua resposta utilizando elementos geográficos e culturais mencionados no início do texto.


Questão 10

O Simbolismo das Máscaras Africanas: “As máscaras simbolizam ações e sentimentos. No texto, a primeira máscara, chamada Grebo (pertencente à Costa do Marfim), simboliza atenção, e a segunda, denominada Punu (pertencente ao Gabão), simboliza beleza e espiritualidade.” As máscaras africanas não são apenas objetos simétricos ou decorativos; elas são carregadas de intenções comunicativas, rituais e sentimentos específicos, variando de acordo com o povo que as produz.


Com base no texto e no trecho acima:

A) Explique a diferença de significado e intenção entre as máscaras dos povos Grebo e Punu.


B) De que maneira essa variedade de sentimentos representados (como atenção, beleza e espiritualidade) reforça a ideia de que a arte africana é diversa e complexa?


Propostas de Atividades Práticas

1. Oficina de Máscaras Rituais: Expressão e Espiritualidade


  • Foco: Artes Visuais e Religiosidade/Ancestralidade.

  • O que os alunos fazem: Produção de máscaras tridimensionais inspiradas nos conceitos de força vital, proteção e nos sentimentos das máscaras Grebo (atenção) e Punu (beleza/espiritualidade).

  • Como fazer na prática:

    1. Estudo e Intencionalidade: Antes de colocar a mão na massa, cada aluno escolhe um sentimento ou valor coletivo que deseja que sua máscara proteja ou simbolize (ex: união, sabedoria, esperança, respeito).

    2. Construção: Utilizando papelão reciclado, caixas de ovos, tintas em tons fortes (características da pintura africana mencionadas no texto) e elementos naturais (folhas secas, gravetos), os alunos esculpem as feições da máscara.

    3. Reflexão sobre Religiosidade: Debater como, na tradição de matriz africana, a religiosidade e a espiritualidade não estão separadas da vida prática; a máscara é um canal de conexão com os ancestrais e com a natureza, respeitando esses saberes sagrados sem caricaturas.

Dica: https://www.youtube.com/watch?v=ZhtwSQBYSOM / https://www.youtube.com/watch?v=LaiNWQuzBtQcomo fazer máscaras de papelão.


2. Teatro de Sombras: Lendas e Ancestralidade Africana


  • Foco: Teatro e História.

  • O que os alunos fazem: Criação de pequenas cenas teatrais utilizando silhuetas de sombras ou fantoches para contar mitos ou lendas africanas e a história da preservação de sua arte.

  • Como fazer na prática:

    1. Roteiro: Em grupos, os alunos criam uma pequena cena (de 2 a 3 minutos) inspirada no texto de apoio — por exemplo, a história do povo Nok descobrindo a terracota, o conto da criação do tambor, a lenda dos árvores Baobás ou uma narrativa sobre como as tradições resistiram ao tempo e à intolerância.

    2. Confecção: Os alunos desenham e recortam em cartolina preta os personagens (sombras) ou impressões/desenhos (fantoches), animais e figuras (muito presentes nas esculturas e lendas) e as máscaras estudadas, colando-os em palitos de churrasco ou picolé.

    3. Apresentação: Utilizando um lençol branco esticado e a lanterna de um celular, os grupos encenam suas histórias por trás do tecido, explorando a expressão corporal das silhuetas, a entonação de voz e a dramaticidade do teatro físico. No caso dos fantoches, caixas de papelão com mini cenários montados.


3. Sonoroplastia e Ritmos de Resistência


  • Foco: Música e Expressão Corporal.

  • O que os alunos fazem: Experimentação prática do ritmo e da criação coletiva "de ouvido" (sem partituras), inspirando-se na tradição oral africana.

  • Como fazer na prática:

    1. Roda de Ritmo (Círculo de Tambores): Utilizando palmas, batidas no próprio corpo (percussão corporal) ou instrumentos feitos com materiais recicláveis (chocalhos de sementes, tambores de balde), o professor inicia um padrão rítmico simples.

    2. Criação Coletiva: Como o texto aponta que a música africana "toca-se de ouvido", cada aluno deve adicionar uma variação ao ritmo do colega anterior, experimentando a polirritmia (vários ritmos acontecendo ao mesmo tempo).

    3. Conexão com a Dança: Os alunos são incentivados a criar movimentos corporais simples que acompanhem a pulsação do som criado pelo grupo, experimentando como som e movimento são indissociáveis na cultura africana.


4. Feira Cultural: Economia Criativa e Empreendedorismo


  • Foco: Empreendedorismo e Artes Visuais.

  • O que os alunos fazem: Simulação de uma cooperativa de artistas e artesãos inspirados nas técnicas e estéticas africanas (trabalhos em terracota, tecelagem, estampas geométricas ou réplicas de máscaras).

  • Como fazer na prática:

    • A Produção: Os estudantes criam produtos artesanais utilizando argila, gesso, tecido ou papelão (simulando a terracota dos Igbo Ukwu) ou criam padrões de estampagem (como o tecido Adinkra ou Kente) usando carimbos de batata ou EVA em tecidos ou papéis.

    • O Plano Empreendedor: Em equipes, eles organizam uma "marca" ou "cooperativa". Devem definir: qual história/valor cultural seu produto conta? Qual seria o valor justo para cobrir os custos de material e valorizar o trabalho do artista?

    • A "Feira de Economia Criativa": Montar stands na escola onde os alunos apresentam seus produtos, explicando o processo de criação artística, a inspiração histórica e o valor cultural agregado. É uma excelente forma de debater como a arte gera sustentabilidade financeira para comunidades tradicionais.


    ***Dica Pedagógica: Você pode integrar todas essas atividades em um único Projeto Interdisciplinar ao longo do bimestre. ou trimestre As máscaras feitas na Atividade 1 e os instrumentos da Atividade 3 podem ser os produtos expostos na feira de empreendedorismo (Atividade 4) ou usados como cenário e sonoplastia na apresentação de teatro (Atividade 2).


Gabarito

Questão 1: D

Questão 2: B

Questão 3: A

Questão 4: A

Questão 5: Arte como Medidor de Superioridade.

Resposta Sugerida: A valorização exclusiva da arte europeia (eurocentrismo) estabeleceu um padrão que considerava outras formas de expressão como "inferiores" ou "primitivas". No Brasil, isso resultou na marginalização e criminalização de manifestações de matriz africana, como o samba, a capoeira e o jongo, que eram vistos com preconceito pela elite. Esse processo demonstra como o julgamento estético foi utilizado historicamente como ferramenta de exclusão social e racismo cultural.

Questão 6: O Desafio da Preservação Histórica.

Resposta Sugerida: O acervo de arte africana foi severamente prejudicado por dois fatores:

Fator Natural (Climático): A preferência pelo uso da madeira, um material orgânico altamente perecível que se deteriora facilmente com as mudanças climáticas e a ação do tempo.

Fator Social/Histórico: A intolerância religiosa por parte de povos cristãos e muçulmanos que, ao entrarem em contato com as civilizações africanas, destruíram deliberadamente peças e acervos por não compreenderem ou aceitarem sua espiritualidade.

Questão 7: A Função Social e Espiritual das Máscaras

Resposta Sugerida: Diferente da perspectiva ocidental (que costuma ver as máscaras como meros objetos decorativos ou disfarces), para os povos africanos mencionados, a máscara possui uma função sagrada e ativa. Ela atua como um escudo de proteção para quem a carrega e tem o papel ritual de captar a força vital (energia) que se dispersa no momento da morte de um ser humano ou animal. Essa energia acumulada é, então, redistribuída em benefício de toda a comunidade (coletividade).

Questão 8: Conexões Musicais e Identidade.

Resposta Sugerida: Os ritmos musicais modernos citados no texto que têm raízes africanas são: samba, rumba, salsa, funk, axé e black music (o aluno deve citar pelo menos três). A música se conecta à identidade do povo negro porque funcionou histórico-culturalmente como um território de resistência, comunicação e preservação de memórias que a escravidão tentou apagar. Como diz a letra do rap, a identidade negra e a sua cultura estão presentes no "suor do trabalhador" e na sobrevivência diária, usando o ritmo e a música para manter vivas suas origens e denunciar as injustiças.

Questão 9: A Pluralidade da Arte Africana.

Resposta Sugerida: É um erro tratar a "Arte Africana" como um bloco único porque a África não é um país, mas sim um continente imenso e diverso, composto por inúmeros povos, nações, etnias e regiões geográficas (como a África Subsaariana). Cada um desses povos desenvolveu suas próprias tradições, crenças, técnicas e materiais (como as esculturas em terracota e bronze dos Igbo Ukwu, as de ébano de outros povos ou as máscaras de madeira). Homogeneizar essa produção anula a rica pluralidade estética e cultural do continente.

Questão 10: O Simbolismo das Máscaras Africanas.

Resposta Sugerida:

A) A máscara Grebo (da Costa do Marfim) tem a intenção de simbolizar a atenção (vigilância ou prontidão), enquanto a máscara Punu (do Gabão) carrega um significado voltado para a beleza e a espiritualidade. Ambas expressam sentimentos e conceitos abstratos muito distintos através de suas formas.

B) Essa variedade mostra que as máscaras não servem para um único propósito padronizado. Cada povo ou etnia africana desenvolveu sua própria linguagem visual e simbólica para representar o que considera importante (sejam valores sociais, estéticos ou espirituais). Isso reforça que a arte africana é extremamente diversa, rica e impossível de ser reduzida a uma única definição ou estilo.


Habilidades (BNCC)

As questões discursivas (as 5 questões gerais + a questão específica sobre as máscaras) foram elaboradas com base nas diretrizes da BNCC (Base Nacional Comum Curricular) para o Ensino Fundamental II, integrando principalmente a área de Arte (com suas diferentes linguagens: Artes Visuais e Música) e conexões com a área de História. Além disso, todas elas atendem diretamente às diretrizes da Lei Federal nº 10.639/03, que torna obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana nas escolas.


🎨 Habilidades de Arte (BNCC)

  • EF69AR34: Analisar e valorizar o patrimônio cultural, material e imaterial, de culturas diversas, em especial a brasileira, incluindo suas matrizes indígenas, africanas e afro-brasileiras, de diferentes épocas, e favorecer a construção de vocabulário e repertório relativos às diferentes linguagens artísticas.

  • EF69AR01: Pesquisar, apreciar e analisar formas distintas das artes visuais tradicionais e contemporâneas, em obras de artistas brasileiros e estrangeiros de diferentes épocas e em diferentes matrizes estéticas e culturais, de modo a ampliar a experiência com diferentes contextos e práticas artístico-visuais [...].  

  • EF69AR02: Pesquisar e analisar diferentes estilos visuais, contextualizando-os no tempo e no espaço.

  • EF69AR16: Analisar criticamente, por meio da apreciação musical, usos e funções da música em seus diversos contextos de circulação, em especial, aqueles de sua vida cotidiana.

  • EF69AR19: Identificar e analisar diferentes estilos musicais, contextualizando-os no tempo e no espaço, de modo a aprimorar a capacidade de apreciação da estética musical.


📜 Habilidades de História (BNCC) - Conexão Interdisciplinar

Como as questões exigem que o aluno compreenda as tensões históricas do preconceito, da colonização e da intolerância, elas mobilizam a seguinte habilidade:

  • EF06HI03: Identificar as hipóteses científicas acerca da origem do homem, sua fixação na África e posterior dispersão pelo mundo, bem como a importância da cultura material para a compreensão da história humana.

  • EF09HI26: Discutir e analisar as causas da violência contra populações marginalizadas (negros, indígenas, mulheres, homossexuais, camponeses, pobres etc.) com vistas à tomada de consciência e à construção de uma cultura de paz, empatia e respeito às diferenças.  





© 2035 by Arts in the Classroom. Proudly created on Wix.com

bottom of page