Atividade sobre Afroempreendedorismo e o Movimento Black Money - Anos Finais
Aula de Empreendedorismo: Conteúdo, questões, dicas, atividades práticas e gabarito.
MOVIMENTO BLACK MONEY - AFROEMPREENDEDORISMO
O movimento Black Money vem trabalhando para jogar luz ao problema de baixa representatividade de negros nos negócios, enquanto promove o empoderamento desse grupo no Brasil e no mundo.
Em tradução livre, Black Money significa “Dinheiro Negro”. Essa expressão não é nova, sendo usada nos Estados Unidos há anos de forma pejorativa, para designar o dinheiro sujo. Como forma de ressignificar tal conceito, o jamaicano Marcus Garvey criou o movimento no século XX. Considerado um dos principais nomes do ativismo negro no mundo, Garvey defendia que, para fortalecer sua comunidade, a população preta deve investir mais em si e se tornar geradora de riquezas, tanto sociais quanto intelectuais. Dessa forma, seria possível aumentar a visibilidade dos negros em todas as esferas da sociedade, como na política, ciência e educação.
Mas o movimento não visa somente abranger a circulação de dinheiro. Na verdade, a ideia é estimular o pensamento inovador entre os negros, de modo a criar soluções diferenciadas no mercado e construir uma cadeia produtiva em que a comunidade tenha oportunidades e seja capaz e dona dos meios de produção.
No Brasil, a escritora, mentora de negócios e especialista em Transformação Digital, Nina Silva, é a líder do movimento Black Money. Ela partiu do cenário de discriminação racial e da falta de representatividade do mercado de trabalho brasileiro para ressignificar a iniciativa no país. Com o movimento, Nina Silva buscou reforçar a importância de utilizar o poder de compra das pessoas negras, assim como a necessidade de investir na comunidade, de modo a promover a integração dessa população ao sistema financeiro. Para isso, o projeto parte de três pilares. Veja quais são eles e seus objetivos:
- Comunicação: promover a criação e disseminação de conteúdos voltados à informação e capacitação das pessoas pretas sobre empreendedorismo, inovação e tecnologia;
- Educação: fomentar a inclusão da população negra na educação, negócios, gestão financeira, inovação e tecnologia, fazendo com que a comunidade entre em outras áreas além das que atuam;
- Serviços financeiros: ampliar a oferta de crédito aos profissionais negros, uma vez que os empréstimos para esse público apresenta três vezes mais chances de ser negado no Brasil.
Alguns exemplos desse movimento, temos a Élida Aquino que criou o primeiro clube de assinaturas brasileiro focado em beleza negra, a AfroBox, com produtos para a pele negra e o cabelo afro. E o Rene Silva, fundador da ONG Voz das Comunidades, localizada no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, e está presente na lista dos 100 negros mais influentes do mundo pela revista Most Influential People of African Descent (MIPAD).
Um estudo feito pelo próprio movimento Black Money, mostra que 51% dos empreendedores são negros e que juntos movimentam 24% do PIB (Produto Interno Bruto) do nosso País. Apesar dos dados refletirem uma expressiva representativa de pessoas negras movimentando a economia, ainda falta espaços de participação ativa e ocupação dessa comunidade em diferentes setores. Para amenizar essa desigualdade, o movimento estimula a contratação de pessoas para todos os níveis de cargo.
Agora, após conhecer o movimento Black Money, você sabe o quão relevante é essa iniciativa para fortalecer a comunidade preta e reduzir as desigualdades. Por isso, é importante que todos atuem de forma a valorizar a diversidade e a inclusão racial, pois apenas assim poderemos contribuir para gerar mais oportunidades no mercado de trabalho e apoiar o crescimento das empresas do país.
- Fonte: https://www.amcham.com.br/blog/movimento-black-money
/https://www.santander.com.br/blog/black-money.
ATIVIDADE - QUESTÕES INTERPRETATIVAS E DINÂMICAS
1. Qual é o principal objetivo do Movimento Black Money?
2. Como Marcus Garvey contribuiu para a criação e o fortalecimento do Movimento Black Money?
3. Por que a liderança de Nina Silva é importante para o Movimento Black Money no Brasil?
4. Qual a importância de investir na própria comunidade negra, segundo o movimento Black Money?
5. Mesmo com 51% dos empreendedores sendo negros, o texto aponta que ainda há desigualdade. Que fatores podem explicar essa contradição?
6. De que maneira o movimento ressignifica o termo “Black Money”, antes usado de forma pejorativa?
*Pejorativa: significa que algo tem uma conotação negativa, desfavorável ou depreciativa, usada para expressar desaprovação, crítica, menosprezo ou desrespeito.
7. Na sua opinião, o que a sociedade em geral pode fazer para apoiar e fortalecer o movimento e a inclusão racial nos negócios?
8. O que caracteriza especificamente o Afroempreendedorismo em comparação ao empreendedorismo tradicional?
A. O protagonismo e a liderança de pessoas negras nos negócios.
B. O uso obrigatório de redes sociais para realizar vendas.
C. A venda exclusiva de produtos de origem africana.
D. A ausência total de objetivos de lucro nos empreendimentos.
9. Qual barreira histórica o afroempreendedorismo busca combater diretamente no Brasil?
A. O excesso de feriados que prejudica o comércio local.
B. A falta de interesse dos jovens por tecnologia digital.
C. A obrigatoriedade de cursos universitários para abrir empresas.
D. A dificuldade de acesso a crédito e capital de giro.
10. Por que o pilar dos Serviços Financeiros é tão urgente e importante para os afroempreendedores brasileiros? Justifique sua resposta com dados do texto.
11. De que forma os projetos criados por Élida e Rene servem de inspiração para o afroempreendedorismo e para a inovação social? Como esses negócios dialogam com a comunidade onde atuam?
12. Com base nas ideias de Marcus Garvey, explique o que significa o movimento Black Money hoje e qual é o seu principal objetivo ao "ressignificar" essa expressão.
13. Com base no que você aprendeu sobre o conceito de fazer o dinheiro circular dentro da própria comunidade, cite duas atitudes práticas que você e seus colegas poderiam adotar no dia a dia para valorizar a diversidade e apoiar o crescimento desses negócios.
DICAS - ATIVIDADES EM GRUPO
Trabalhar os conceitos de Afroempreendedorismo e Economia Circular exige atividades dinâmicas, que tragam a teoria para o plano prático e estimulem a colaboração. Nessa idade, os estudantes respondem muito bem a desafios de resolução de problemas e simulações do mundo real.
Aqui estão três sugestões de dinâmicas práticas estruturadas para serem aplicadas em sala de aula (em uma ou duas aulas):
SUGESTÃO 01: O Desafio do "Gira Dinheiro" (Simulação de Economia Circular)
Objetivo: Compreender na prática como o dinheiro que circula dentro de uma comunidade fortalece todos os seus membros (o conceito central do Black Money).
Tempo estimado: 35 a 45 minutos.
Materiais necessários: Cédulas de dinheiro fictício (ou fichas de papel) e cartões de "identidade empreendedora".
Como funciona:
Divisão de papéis: Divida a turma em grupos de 4 ou 5 alunos. Cada grupo representará um pequeno comércio ou prestador de serviço fictício do bairro liderado por um afroempreendedor (ex: Grupo A: Salão de Beleza Afro; Grupo B: Padaria Comunitária; Grupo C: Designer de Moda/Estamparia; Grupo D: Assistência Técnica de Celulares).
Distribuição de recursos: Entregue a cada grupo um valor inicial em dinheiro fictício (ex: $100) e uma lista de "necessidades básicas" que o negócio deles tem para funcionar (ex: o salão de beleza precisa de uniformes novos; a padaria precisa de manutenção no seu sistema de senhas; a estamparia precisa de lanches para um evento).
Rodadas de Negociação (O Fluxo):
Rodada 1 (Compra Externa): Os grupos devem resolver suas necessidades comprando de grandes corporações fora do bairro (representadas pelo professor). O dinheiro sai da mesa dos grupos e vai para o professor.
Rodada 2 (Economia Circular): O professor redistribui o dinheiro inicial. Desta vez, os grupos só podem resolver suas necessidades contratando ou comprando dos outros grupos da sala (ex: o salão contrata a estamparia para fazer os uniformes; a estamparia compra os lanches da padaria; a padaria contrata o técnico de celulares).
Reflexão Coletiva: Ao final, discuta com a sala: Em qual das duas rodadas a riqueza permaneceu no nosso ecossistema? O que acontece com o bairro quando escolhemos consumir de pequenos empreendedores locais?
SUGESTÃO 02: Hackathon Social: "Inova Quebrada"
***Hackathons são maratonas de imersão tecnológica e criativa. Durante o evento, desenvolvedores, designers e especialistas de diversas áreas trabalham em equipe para criar soluções inovadoras ou protótipos funcionais, visando resolver um problema específico. O termo é a junção das palavras em inglês "hack" (programar com excelência) e "marathon" (maratona).
Objetivo: Desenvolver o pensamento inovador para resolver problemas reais de representatividade e consumo de forma criativa.
Tempo estimado: 1 a 2 aulas (pode ser um projeto interdisciplinar).
Materiais necessários: Papel cartaz, post-its, canetas coloridas.
Como funciona:
O Desafio: Apresente um problema real para os grupos resolverem.
Exemplo de problema: "Muitos afroempreendedores do nosso bairro produzem coisas incríveis (doces, artesanato, tranças, camisetas), mas não conseguem alcançar novos clientes porque não têm acesso a canais de divulgação caros."
A Criação do Projeto: Os grupos de alunos devem criar uma solução inovadora de baixo custo baseada nos três pilares de Nina Silva (Comunicação, Educação ou Serviços Financeiros).
Eles podem desenhar o protótipo de um aplicativo de entregas local, planejar uma feira cultural de trocas e vendas na escola, ou criar um canal de divulgação digital (como um perfil de Instagram coletivo do bairro).
O Pitch (Apresentação): Cada grupo terá 3 minutos para apresentar sua ideia para a sala de forma convincente, explicando:
Qual é o produto/serviço?
Como ele ajuda os empreendedores negros locais?
Como a comunidade se beneficia dele?
SUGESTÃO 03: Dinâmica: "A Linha da Produção Justa"
Objetivo: Discutir a cadeia de suprimentos tradicional em comparação com uma cadeia produtiva justa e inclusiva, onde o produtor é dono dos meios de produção.
Tempo estimado: 30 minutos.
Materiais necessários: Barbante e folhas de papel com os nomes dos personagens do ciclo de produção.
Como funciona:
Montando a Teia: Peça para voluntários irem à frente da sala. Cada um recebe uma placa: Produtor de Matéria-Prima, Distribuidor, Grande Empresa, Publicidade, Loja de Departamento, Consumidor Final e Afroempreendedor Local.
Cadeia Tradicional (Cenário A): Ligue os personagens usando o barbante na ordem tradicional da indústria da moda (do Produtor ao Consumidor Final). Mostre que o dinheiro passa por muitos intermediários e quase nada volta para quem produziu na base.
Cadeia do Afroempreendedorismo (Cenário B): Refaça as conexões colocando o Afroempreendedor Local como o designer que compra diretamente do produtor de matéria-prima e vende diretamente para a comunidade (venda direta/clubes de assinatura, como a AfroBox citada no texto).
Debate: Peça para os alunos observarem a diferença física das conexões do barbante. Quais são as vantagens de uma cadeia mais curta? Como isso ajuda a remunerar melhor quem produz e a entregar um preço mais justo para quem compra?
Dica Pedagógica: Para fechar qualquer uma das atividades, peça para que cada aluno escreva em um post-it uma única palavra que resume o sentimento de ver o impacto do seu consumo no crescimento de outra pessoa. Cole esses post-its na parede da sala formando um "mural da economia circular".
GABARITO
Resposta esperada: O movimento Black Money vem trabalhando para jogar luz ao problema de baixa representatividade de negros nos negócios, enquanto promove o empoderamento desse grupo no Brasil e no mundo.
Resposta esperada: Em tradução livre, Black Money significa “Dinheiro Negro”. Essa expressão não é nova, sendo usada nos Estados Unidos há anos de forma pejorativa, para designar o dinheiro sujo. Como forma de ressignificar tal conceito, o jamaicano Marcus Garvey criou um movimento no século XX. Considerado um dos principais nomes do ativismo negro no mundo, ele defendia que, para fortalecer sua comunidade, a população preta deve investir mais em si e se tornar geradora de riquezas, tanto sociais quanto intelectuais.
Resposta esperada: No Brasil, a escritora, mentora de negócios e especialista em Transformação Digital, Nina Silva, é a líder do movimento Black Money. Ela partiu do cenário de discriminação racial e da falta de representatividade do mercado de trabalho brasileiro para ressignificar a iniciativa no país. Com o movimento, Nina Silva buscou reforçar a importância de utilizar o poder de compra das pessoas negras, assim como a necessidade de investir na comunidade, de modo a promover a integração dessa população ao sistema financeiro.
Resposta esperada: A população preta deve investir mais em si e se tornar geradora de riquezas, tanto sociais quanto intelectuais. Dessa forma, seria possível aumentar a visibilidade dos negros em todas as esferas da sociedade, como na política, ciência e educação.
Resposta esperada: Apesar dos dados refletirem uma expressiva representativa de pessoas negras movimentando a economia, ainda falta espaços de participação ativa e ocupação dessa comunidade em diferentes setores.
Resposta esperada: Pessoal com referências do texto.
Resposta esperada: Pessoal com referências do texto.
Letra A.
Letra B.
Resposta Esperada: O aluno deve destacar a dificuldade histórica de acesso ao crédito. O texto aponta que os empréstimos para profissionais negros têm três vezes mais chances de ser negados no Brasil. Sem crédito ou capital inicial, fica muito mais difícil abrir ou expandir um negócio, tornando esse pilar fundamental para garantir a sobrevivência das empresas lideradas por pessoas negras.
Resposta Esperada: O aluno deve explicar que Élida Aquino inovou ao criar um produto focado na beleza negra e cabelos crespos/cacheados, atendendo a uma demanda de mercado que costuma ser ignorada pelas grandes marcas tradicionais. Já Rene Silva utilizou a comunicação comunitária para dar voz e visibilidade à periferia, mostrando que o empreendedorismo pode gerar impacto social e reconhecimento internacional. Ambos mostram que empreender é também resolver problemas reais de sua comunidade.
esposta Esperada: O aluno deve explicar que ressignificar é dar um novo sentido. Hoje, o Black Money representa o fortalecimento financeiro e intelectual da comunidade negra. O objetivo é fazer com que a população preta invista em si mesma, gere riquezas e aumente sua visibilidade e representatividade em espaços como a política, a ciência e a educação.
Critério de Correção / Resposta Esperada: Esta é uma questão de aplicação prática e pessoal. O aluno deve propor ações viáveis, como:
Mapear e comprar de pequenos comerciantes, feirantes ou prestadores de serviços negros do próprio bairro em vez de grandes redes transnacionais;
Divulgar o trabalho desses empreendedores nas redes sociais ou indicar para amigos e familiares, fortalecendo a rede de apoio local (economia circular).
Artes na Sala de Aula
